5.29.2008

é português



Deixar-nos levar pela voz de Lisa Ekdahl é poder sonhar, é poder voar como uma das carta da Paula. De uma voz tão suave, quase ingénua, mas com todas as exigências do jazz respeitadas, mas recriadas.

Mimos com história, duas empresas portuguesas com certeza e uma obra de Pascal Nordmann num tributo à Viarco

5.28.2008

Para o bebé



Sendo a terceira de três raparigas tive a felicidade, ou não, de herdar bonecas e bonecos, panelas e panelinhas das mais velhas, mas lembro-me de apenas uma, a boneca, sim uma, confesso que me divertia muito mais com uma infindável colecção de miniaturas, jogos de rapazes, desenhos e bichos, muitos bichos, voadores, rastejantes, bichos.

“Para o bebé”, chegou-me às mãos através do Renato que me transportou novamente para esse imaginário.
Poder recordar este e ficar atónita com este.


"Para o Bebé" é um produto da saboaria Confiança, de Braga a trabalhar desde 1894, a par com a famosa Claus do Porto, de 1887, ambas com uma forte aposta revivalista.


E tudo isto para quem hoje é “pequenino

5.27.2008

abraços precisam-se



e estarei para recebê-los aqui (mais a Lara) no dia 31 de Maio, Sábado, pelas 15h00

be it as if i were with you




"Perfumados prados do meu peito, /Colho as vossas folhas, escrevo, para melhor as estudar depois(...) Emblemáticas e caprichosas folhas, deixo-vos pois já não me são úteis,/ Sem rodeios direi o que tenho a dizer,/ Só a mim e aos companheiros hei-de cantar, jamais atenderei outra voz que não a sua,/ Despertarei ecos imortais em todos os estados do meu país,/ Aos amantes darei um exemplo que seja sempre forma e vontade(...)"

Cálamo, Whitman, Walt, capa Ilda David, Assírio & Alvim, 2ª edição Fevereiro de 1993

e porque tinha saudades de te ouvir (programa "Livros com Rumo")

5.25.2008

devagarinho




Aos poucos o corpo vai respondendo, e que o crescimento é isto mesmo aceitar e repensar a vida.
Pensar que já não consigo dar um beijo ao M., sempre que se magoa, porque o beijo não faz passar a dor, esconde-a.

Se estivesses aqui já terias começado a dizer-me “váaaaaa, váaaa” ao jeito de um guardador de gado que incita o animal a andar, não fosses tu “um pobre homem do Minho”

Tapiol (Tavares Pinho & Oliveira) outra marca portuguesa que produzia(uz) objectos em latão, como este fogão do final dos anos 40, com magníficas ilustrações.
Altura 12cm e diâmetro 8cm e "dura-lhe eternamente" mais aqui

5.23.2008

ao homem





A vida pode ser simples, calma, sem sequer termos a pretensão de sabermos tudo e transparente, diáfana, luminosa, apesar da dor e da saudade.
Aprendermos que o tempo é a casa do nascimento e da morte, e que a memória é o princípio para nos ligarmos a alguém. Aprender que ter paciência é passar o tempo a lutar por aquilo que se deseja.
E quando estamos certos de uma casa arrumada, a vida encarrega-se de a desorganizar.

Morte e Nascimento de uma Flor de Elvira Santiago é uma metáfora sobre o crescimento, o amadurecimento e a morte. A excelência do texto literário da autora manifesta-se num discurso de beleza depurada, da simplicidade das palavras. As ilustrações de Joana Quental que retratam o lado optimista da vida, uma ode ao sol em contraponto a Alberto Péssimo que mostra o escuro, as trevas, o lado lunar

como um dia disseste “a mim ninguém me cala”, vamos-nos falando meu amigo

5.22.2008

Torcato Sepúlveda


sei que se estivesses, aqui, agora, me terias abraçado e dirias que nada disto tem importância.
que ficam as boas coisas. vieste-me ver no dia da Liberdade e hoje sou eu que te vou ver. vou-te encontrar com a calma que tu dizias que encontravas quando estavas aqui em casa. a casa que como diz o A. terá sempre um quarto. o teu quarto. o quarto do Torcato.

obrigada por teres sido o amigo, o companheiro, o conselheiro, o padrinho, o critico, o professor, obrigada por me tentares fazer crer que alguns que dizem ser teus amigos não te acarinharam nestes últimos tempos, que não fizeram justiça ao homem.

hoje no público há um comentário que me diz tudo "Sossega camarada, vamos vingar-te!"

obrigada por isto


Rute Reimão: o sol e a noite

Conheci Rute Reimão num jornal, para o qual amigos meus me convidaram. A transferência assemelhava-se a uma tomada de assalto. Rute já lá trabalhava como gráfica e ria alto. Um desses amigos piratas ficou como director gráfico. Quando me exigiram uma coluna semanal de opinião, ele propôs que Rute a ilustrasse. Eu, que a ignorava como criadora (problema meu), gostei da gargalhada e da timidez dela. Aceitei. Rute nada ilustrou. Sempre me obrigou – nesse malfadado semanário; o assalto falhou – a declarar com antecedência a matéria que iria tratar. Mas nunca ilustrou. Inventou sempre, em desenhos agrestes e desordenados, com palavras espalhadas como punhaladas num corpo barbaramente assassinado. A Rute transformava a realidade – ou melhor, a notícia – numa construção fantástica, gótica. Em traços violentos, quase sempre a preto e branco, raramente a cor surgia, Rute transformava a realidade em panfleto para chegar à poesia.Um dia, forneci como tema central da minha crónica o poeta surrealista francês Antonin Artaud. E ela reinventou Artaud. Belo como ele havia sido na realidade;maldito como ele sempre quis ser. Uma iluminação. Rute, agreste, suavizara o traço logo no tema mais violento que lhe propusera. Disse e volto a dizer: Rute não ilustra; Rute refaz um mundo alienado no qual só os desesperados se salvam. Quando o tema é demasiado banal, ela desvia-o pelo humor. Reencontrei-a no diário A Capital. Irónica, guardou paciência para acompanhar as minhas pobres crónicas.Se ainda houvesse grupo surrealista, Rute Reimão seria uma das egérias desses insurrectos da palavra, desses comunistas do génio. É filha do sol ou filha da noite? É filha da sua obra clandestina. Como convém.

5.21.2008

trago-te ao peito


mais aqui

poema a um amigo




(...) E já nenhum poder destrói o poema.
Insustentável, único,
invade as órbitas, a face amorfa das paredes,
a miséria dos minutos,
a força sustida das coisas,
a redonda e livre harmonia do mundo. (...)

sei que preferias que escolhesse Camilo, mas nem me atrevo, pelo menos contigo não.
fico-me por Herberto Helder. fica prometido um almoço entre os três. fica prometido dez telas, que ingenuamente considerei serem treze e que tu disseste que deviam ser vinte.
a bungavília, essa, já se encheu de flor e espera por tardes e noites de conversa.

5.15.2008

de Aquilino





Como acontece com o Livro de Marianinha escrito em 1962 e dedicado à neta, História do Coelho Pardinho que ficou sem rabo, publicado em 1936, dentro da obra “Arca de Noé, III Classe”, é inspirado pelo segundo filho de Aquilino Ribeiro e originalmente ilustrado por Jorge de Matos Chaves.

“Arca de Noé, III Classe”, é um conjunto de seis histórias que se reporta a toda a bicharada plebeia que embarca e aceita Noé como amo.
História do Coelho Pardinho que ficou sem rabo conta de uma forma divertida e imaginosa o porquê dos coelhos não terem cauda.

Reeditada pela Livraria Bertrand em 1962 e agora com ilustrações de Luís Filipe de Abreu, com a particularidade de levar o sinete do autor, uma águia desenhado por Leal da Câmara
e trabalhado pelo Mestre Arnaldo Malho, de quem Aquilino escreveu, fazia renda com o ferro.

História do Coelho Pardinho que ficou sem rabo, RIBEIRO, Aquilino, 1962, parte integrante da obra Arca de Noé, III Classe, págs 55 a 79 (versão original) ilustrações de Luis Filipe de Abreu e impresso por Impressa Portugal-Brasil para Livraria Bertrand

livros para folhear e comprar lookybook

5.08.2008

O mar é o nosso campo




A mulher da beira-mar, das horas de angústia, de dias de farta e outros de indigência, de indumentária de trabalho e canastra à cabeça. Filhos que as acompanham, que aprendem o passo, o modo de caminhar.


E eu com saudades do meu mar

A foto da peixeira com a rodilha na cabeça de Aurélio Carneiro é dedicada à Saloia a menina das rodilhas

Onde encontrar As mulheres do meu país
A visitar museu do traje

5.07.2008

mulheres-mães




Maria Lamas inicia em 1947, a viagem por um Portugal ditatorial, e que pelo pormenor e realismo com que a autora escreve resultaria em três volumes fantásticos de escrita e fotografia, publicados entre Maio de 1948 e 15 de Abril de 1950, pela recém-criada Actuális, Lda.

Mulheres de norte a sul. Mulheres-camponesas, mulheres-operárias, mulheres-mães, mulheres-intelectuais, mulheres-artistas, mulheres-domésticas “com os seus trajes, os seus rostos marcados pelas agruras de um
trabalho pesado e pela falta de condições de vida. (...) fala-nos da vida das mulheres não só da sua resistência, mas da sua combatividade.”

reedição LAMAS, Maria, As mulheres do meu país, Lisboa, Caminho, Setembro de 2002

5.06.2008

leituras




Duas vezes por semana deslocamo-nos a Beja, o que significa para uns trabalho, para outros significa dois dias de descanso (ou talvez não).
Sou arrastada literalmente para a Biblioteca que de todas as ofertas é a preferida do Manel. Significa ficar horas mergulhada em livros, histórias, jogos e desenhos. Significa comprar pelo menos mais um livro.
E ao cair da noite poder comer e repousar na Galeria do Desassossego.

Orelhas de Borboleta, da editora kalandraka, retrata a intolerância que por vezes caracteriza o comportamento infantil. Mara, a menina da história de uma forma original e até mesmo poética descobre como lidar com as diferenças. As ilustrações do brasileiro André Neves acentuam e exploram a dimensão metafórica do texto de Luisa Aguilar.
Poder ler que a Mara não tem uma meia rota, mas sim dedos curiosos é aprendermos o significado de tolerância perante a diferença, valorizando-a.

5.02.2008

postal música



Em Portugal, o Dia da Mãe foi decretado oficial em 1936, celebrando-se a 8 de Dezembro, Dia de Nossa Senhora da Conceição, Padroeira de Portugal. Na década de 80 passou a ser festejado no 4.º Domingo de Maio e, em 1986, a data fixou-se no 1.º Domingo de Maio. in O Livro das Festas de Isabel Lamas (ISBN - 972-766-282-X)

Postal-música, produzido por Ernst Kurt Schmidt, Hamburgo para Edição RAN Lisboa, com letra de Zita Campos, música de Almeida Nunes e com interpretação de Gina Maria, na década de 70.
Molde em ferro para mosaico hidraulico de Lúcio Zagalo, autor do mosaico que serve de fundo ao postal-música e ainda deste.

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