3.31.2009

de cheirar



há aromas que invadem a casa

"também se cozem e temperam amores e desamores, risos e prantos, e se celebra o triunfo da alegria e da vida sobre a tristeza e a morte." in Como água para chocolate, Laura Esquível

3.30.2009

de outras terras





O leão Kandinga” de Boniface Ofogo e Elisa Arguilé é a história de um leão feroz e malvado que não hesitava em devorar os seus amigos para matar a fome, por isso acaba sozinho, sem amigos e família. A história de Kandinga é a tradução da sabedoria dos povos africanos, mais precisamente na tradição oral dos Bantu. Uma narrativa que convida a uma viagem imaginária até ao coração da selva mostrando a supremacia do leão face aos outros animais.

Um livro editado pela Kalandraka que surge na sequência de uma viagem de Ofogo entre Saragoça e Huesca, onde conhece Elisa Arguilé e lhe conta esta história.

Este livro fez-me lembrar um outro, de uma editora que acompanho com algum carinho, a Tara books, não só pela temática dos livros, mas pelo modo como estes são produzidos.

The very hungry lion” adaptado por Gita Wolf, considerada uma das mais criativas e originais vozes contemporâneas na área da edição, e magnificamente ilustrado por Indrapramit Roy, ao estilo Warli, pintura que se usava nas paredes das casas tribais na Índia e produzido manualmente como “The night lies of trees”

The very hungry lion” é uma adaptação de um conto tradicional, que ao contrário de Kandinga ele engana outros animais para serem estes a procurarem-lhe alimento.



Ooo00o




Laranja, peso, potência.
Que se finca, se apoia, delicadeza, fria abundância.
A matéria pensa. As madeiras
incham, dão luz. Apuram tão leve açúcar,
tal golpe na língua. Espaço lunado onde a laranja
recebe soberania.
E por anéis de carne artesiana o ouro sobe à cabeça.
A ferida que a gente é: de mundo
e invenção. Laranja
assombrosamente. Doce demência, arrancada à monstruosa
inocência da terra.

Herberto Helder in Última Ciência, Assírio & Alvim, 1988

e o som dos aromas invadem a casa

3.27.2009

carimbar



Graças à minha sempre vontade de desenhar e à falta de tinta nas almofadas dos carimbos, que eu me livrei tantas vezes das revisões da matéria, na escola primária.

Não me recordo qual era a marca dos carimbos, provavelmente a maioria seria da majora pelos desenhos que tenho encontrado e que me recordam os que eu tantas vezes desenhei.

Lembro-me que abandonava o meu lugar e ia ocupar outro numa fila vazia de carteiras. Estendiam-se cartolinas, decidiam-se desenhos consoante a época do ano e começava a desenhá-los.

Ainda hoje gosto de carimbos, gosto deles bem desenhados, rigorosos como as ilustrações inglesas do século XIX muito ao estilo de Randolph Caldecott,
Estes carimbos são de uma fábrica de material didático – AGATHA-, no Porto.
Tenho pena mas pouco sei deles e da sua história.

Carimbos Agatha O Sobreiro ref.ª 108

3.26.2009

letras grandes e pequeninas





Os dias estão deliciosamente saborosos. pedem leituras e conversas exteriores.

A Assírio presenteou-nos recentemente com a edição de "Ofício Cantante – Poesia Completa" de Herberto Helder com capa de Ilda David que inaugura no próximo sábado, dia 28 uma exposição no Espaço Pessoa & Companhia, em Lisboa.

Um poema lindíssimo de Herberto Helder (que pode ser lido na totalidade aqui)

No Sorriso louco das mães

No sorriso louco das mães batem as leves
gotas de chuva. Nas amadas
caras loucas batem e batemos dedos amarelos das candeias.
Que balouçam. Que são puras.
Gotas e candeias puras. E as mães
aproximam-se soprando os dedos frios.


(...)

Sentam-se, e estão ali num silêncio demorado e apressado,
vendo tudo,
e queimando as imagens, alimentando as imagens,
enquanto o amor é cada vez mais forte.
E bate-lhes nas caras, o amor leve.
O amor feroz.

E as mães são cada vez mais belas.

(...)

E por dentro do amor, até somente ser possível amar tudo,
e ser possível tudo ser reencontrado
por dentro do amor.


"O incrível rapaz que comia livros" de Oliver Jeffers magnificamente ilustrado lembrou-me um outro "Leónia Devora os livros escrito por Laurence Herbert, ilustrado por Frédéric du Bus e editado pela Caminho. A mesma temática, mas confesso que o de Oliver Jeffers me enche mais as medidas.

O amor chegou com as chuvas - Mirabai- um livro que eu gostava de ler, também editado pela Assírio

3.24.2009

de coração cheio



De volta a casa, de coração, olhos e mãos cheias, de gente que conhecemos e revemos, de coisas que fizemos e que vimos e que nos tornaram mais ricos.

Mas venho sobretudo de coração cheio, dos meninos dos ateliers que estive a fazer no bairro Quinta do Lavrado e na Associação 2 de Maio.

Um beijo especial à Maria que começou o atelier a chorar e acabou assim a não querer deixar-me ir embora. Guardo-te comigo.
A primeira fotografia é da oficina "Poemas e postais", orientada pela Helena Zália e pela Mafalda Milhões da Bichinho de Conto

A imagem dos "meninos" na praia foi tirada no Museu do brinquedo, onde tive o prazer de estar à conversa com Arbués Moreira e ficar a saber algumas histórias que estes brinquedos encerram
Por último a Maria, uma imagem capturada de um pequeno vídeo, já nas cozinhas da Associação 2 de Maio

3.19.2009

até já


De malas quase feitas e com um novo livro lá dentro, partimos para quatro dias na terra, que segundo os meus planos serão divididos entre dois workshops que vou dar a dois grupos de 20 crianças cada, sob o tema “E se eu fosse uma árvore”, uma ida à Gulbenkian para participar com o Manel numa destas oficinas, e para rever o grupo teatro Tapa Furos que mais uma vez escolhe a Quinta da Regaleira como palco para a sua nova peça “As Aventuras de Puck, o Duende”, numa adaptação livre da versão infantil de Hélia Correia de “Sonho de Uma Noite de Verão” de William Shakespeare.

Fica ainda tempo para matar saudades da família e voltar a ver o mar

today



do dia deles

3.16.2009

verde


Gosto muito de trabalhar com crianças e confesso que gosto muito mais de trabalhar com meninos que pouco têm e à semelhança do ano passado e integrado na iniciativa “Semana Verde, em Lisboa, dois workshops para dia 20 e 23 de Março “e se eu fosse uma árvore”

arrumações



No meio de mudanças da biblioteca, de uma estante que está para chegar capaz de alojar bem mais e melhor, encontrei estes dois livros que foram surrupiados da casa da minha mãe.

Gosto deles, talvez também porque a ela lhe disseram muito. A dedicatória reservo-a. mas a propósito de Edgar Allan Poe e da comemoração do bicentenário do seu nascimento relembro-me do trabalho de Tim Burton Vincent, inspirado desde sempre na obra de Poe e produzido em stop motion um desafio sem dúvida à paciência.

Vincent conta a história de um menino que gostaria de ser como seu ídolo, o actor americano de filmes de terror Vincent Price (1911-1993), sendo este o narrador do próprio filme de Tim Burton. Ambos com forte influência na obra gótica de Poe.

The Raven é outro tributo a Edgar Allan Poe, feito por Lou Reed o ex-músico dos Velvet Underground.

3.14.2009

alambazar




apesar dos dias pedirem rua, as noites ainda se têm frias e pedem o aconchego de casa. cada vez mais distante do que se compra feito entrego-me a alguns prazeres. nem que seja o prazer de sentir o cheiro a bolos quentes a invadir as salas.

à espera do livro "O incrível rapaz que comia livros" de Oliver Jeffers (vale a pena ver o site com atenção) e editado pela Orfeu, sinto que cada vez mais me apetece juntar a arte de comer com a de ler

também no campo da leitura e para os mais pequeninos (onde me apetecia permanecer), a Câmara de Lisboa promove a I Festa do Livro Infantil a decorrer de 27 Março a 5 de Abril na Praça da Figueira, sendo o seu ponto alto um atelier organizado pela Fundação José Saramago baseado no livro A Maior flor do Mundo.

A curta-metragem de animação adaptada do livro de José Saramago, A Maior Flor do Mundo, realizada por Juan Pablo Etcheverry e com música de Emilio Aragón, acaba de receber o Prémio de Melhor Curta de Animação no 1.º Festival de Madama, realizado na localidade de Sanxenxo

3.12.2009

até sempre



era Outubro o Verão parecia ter começado. Em casa habitava a tranquilidade que o Torcato trazia sempre que cá estava. As leituras exteriores. as conversas. as cervejas que compensavam o calor. Os jantares com os amigos alentejanos que nós fazíamos questão, prolongavam-se debaixo da buganvília. as noites eram curtas e não nos apetecia que acabassem.

Era Outubro e o Torcato veio, inquieto, o João tinha sido internado. Fez-se dois ou três telefonemas para médicos amigos. A notícia era triste. Muito triste. Chorei no ombro dele. Sem sabermos que poucos meses depois e sem nos avisar o Torcato ía embora.

Naquele dia estivemos com o João e com a sua coragem. Um ano depois parte e deixa-nos a todos mais vazios

3.09.2009

memórias



A um livro de distância, olho para eles, releio-os para mim e para o M. A memória olfactiva acompanha-me, mas de facto já não existe. Gostava de a conservar assim dentro de mim porque essa sei que não a consigo passar.

A um livro de distância de acabar a colecção de vinte, sobra este que terei o maior prazer em oferecer a quem estes livros significam realmente alguma coisa. (já vai seguir viagem)

Também ilustrado por Yvonne Perrin este que adorava ter

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