1.19.2010

de papa



O estudo de tecidos e de têxteis embora se revele muito rico em termos indicadores de técnicas, suportes, produtos e instrumentos, alguns até já caídos em desuso, resulta na maioria das vezes numa difícil compreensão.
De todas as pesquisas que fiz o melhor glossário que encontrei foi o de Manuela Pinto da Costa, museóloga e conservadora, dos quais transcrevo dois.

COBERTOR – (de papa) Peça de lã de fio grosso ou de algodão felpudo, com que se agasalha o corpo no leito. No séc. XVI significava coberta ou colcha de cama (de pele de coelho). Cobertor de peles de coelho forrado de pano. Também era designado por chimaço e cobertal.

COBERTAL, cobertor – Peça encorpada de algodão ou lã.


No entanto se formos à origem da palavra Papa, que vem do grego páppas, transformada mais tarde pelo Latim em papa, que significa "pai", ou Pater.
Cada letra da palavra Papa corresponderia a uma palavra, neste caso Petri Apostoli Potestantem Accipiens -, "o que recebe o poder do apóstolo Pedro", numa espécie de pastor dos apótolos.

Da união das primeiras sílabas destas palavras latinas, Pater - "Pai" e Pastor "Pastor", pode muito bem ter surgido a palavra papa, tendo em conta que quem começou a usar estes cobertores foram os pastores, para se protegerem de um frio e de um vento que nunca deixa de assobiar.

Gostava de voltar a este tema por três razões, uma porque faz lembrar o título de um livro de Margueritte Yourcennar -, “0 tempo
esse grande escultor" e não há dúvida do trabalho que sai das mãos destes homens. Outra razão prende-se à altura do ano em que eram fabricados e por último na tentativa de arranjar um paralelismo com outros cobertores oriundos de outros países, nomeadamente o cobertor mostardeiro.

1.18.2010

de agasalhar



"O Inverno é o tempo já velho" é o título de um livro de Maria Isabel César e ilustrado por Maria Keil

Na tentativa de aquecermos o coração, agasalhamos primeiro o corpo e é com pena que vemos estes cobertores se perderem no tempo.

A produção dos cobertores de papa, fabricados com lã churra de ovelha, remonta ao reinado de D. Sancho II.
Mas é no reinado de D. José (1758), com o Marquês de Pombal, que se sente um impulso nesta indústria sobretudo na zona da Covilhã e da Guarda.
No início do século XX podiam-se contar 9 teares dedicados ao fabrico de cobertores de papa na zona de Maçainhas, mas entre 1930-32 uma forte crise resultou na falência de grande parte destes teares, no entanto um novo impulso surge no fim da década de 30 tendo o seu expoente máximo nos anos de 1942 e 43, chegando a haver 35 teares.
Infelizmente hoje conta-se apenas um.

Também conhecido por cobertor de pêlo, ou manta lobeira, fabricado numa lã macia de ovelhas que também estão em extinção, podendo ser produzido numa só cor (branco, verde, vermelho), com a cor “barrenta” (branco e castanho), bordado a azul, verde e vermelho (Minho e Norte do País) ou fabricado com tiras coloridas de castanho, amarelo, verde e vermelho.

Este cobertor mede cerca 1,70X2,40 e pesa em média 3 kg. Havia tanto para dizer deles nomeadamente o processo de fabrico.

in “O Fio da Memória, número 12” de Maria do Céu Baía Oliveira Reis editado em 2003 pelo Município da Guarda

1.15.2010

por aqui



apesar de poucas fotos por aqui continua-se a trabalhar, podendo mostrar muito pouco.

um grande obrigada ao Carlos Júlio, jornalista na TSF, por este texto

1.11.2010

balanços



Com o início de um novo ano fazem-se balanços, revêem-se projectos. A entrada do Manel para a escola limitou-me em grande as minhas deslocações a Lisboa, ou pelo menos fico sempre com uma sensação de vazio de ir ver coisas sem ele.

O fim-de-semana foi programado nesse sentido. Por não termos podido assistir ao indie júnior de 2009, aproveitámos que o Centro Cultural de Cascais tenha exibido uma selecção de alguns dos filmes e lá fomos nós. Dois deles já conhecíamos, mas foi bom rever, para quem quiser se deliciar com algumas curtas do mundo da animação, ficam aqui 6 links dos 8 filmes apresentados.

Nicolas et Guillemette de Virginie Taravel (França), Sleeping Betty de Claude Cloutier (Canadá), The Swimming Lesson de Danny de Vent (Bélgica), Bave Circus de Martin Laurego (França), Love Recipe, (França) e Ex-E.T. também francês.

O Manel estreou-se num jantar no Snob (que saudades que eu tinha), num almoço no Fábulas, numa ida ao MUDE, na exposição Picasso y los libros e viemos de coração cheio dos amigos que se viu.

e ainda de balanços, a nossa casa é onde o nosso coração está

a negro, mas com muita cor


~

Já há muito tempo que este livro se encontrava na minha interminável lista de livros, mais ou menos organizada por nacionais e estrangeiros, mais ou menos organizada por importância, ou não, enfim há muito tempo que gostava de o ter nas mãos.

A boa surpresa chegou pelas mãos da Bruáa que trouxe para nós traduzido o trabalho de Menena Cottin uma mulher de mão cheia na sua qualidade de ilustradora-designer-escritora que conta ainda com ilustrações de Rosana Faría, também ela Venezuelana.

Um livro fascinante e ao mesmo tempo tão desafiador. Um livro que vem na altura certa cá para casa porque o Manel tem questionado tanto o não ver, a propósito dos cães que servem de guias. Com brincadeiras feitas no quarto às escuras sobre o que é “este” ou “outro” objecto, esta nova leitura trará sem dúvida um novo olhar para o mundo.
Um mundo de cores que têm sabores, que são suaves como penas e o toque das imagens que nos sugerem as formas. E a impressão é absolutamente fabulosa.

Um filme para ver e ouvir a “el loco juan carabina” tocado por Simón Díaz, acompanhado pela flauta de Luis Julio Toro

Tudo isto lembra-me a obra de JL Borges, mas particularmente um livro, “Uma história da leitura”, não dele, mas de Alberto Manguel, um escritor que em novo lia para JL Borges já cego.

1.06.2010

de ti




Para começar o ano escolhi um livro que apesar de ter sido editado em 2006, teve uma reedição em 2009, com uma capa bem mais bonita do que a primeira.

Anjos de Pijama, de Matilde Rosa Araújo, com ilustrações de Maria Keil, é uma espécie de ode às duas semanas em que tive o Manel a tempo inteiro - “Menino do meu amar”.

Literalmente uma das semanas foi passada de pijama, uma imagem em que no livro o leitor é remetido para o universo da casa, do aconchego, destes pequenos seres que transportam uma vida e uma alegria mesmo quando não estão bem.

Um texto que vale a pena ler sobre este livro escrito por Ana Margarida Ramos da Universidade de Aveiro.

Aventuras Pequeninas

“É tão linda a palavra dói-dói!
Dói… Dói…
Mas um dói-dói dói
Dói!
Que pena o dói-dói doer
Até o menino chorar.
Mas que foi?
É um dói-dói pequenino
No joelho
Do menino
Que pulou,
Caiu,
E se feriu.
Pulou,
Caiu,
Esfolou.
Mas já passou…”

A má qualidade das fotos deve-se a um presente, ao qual ainda não dediquei a devida atenção.

1.03.2010

começar o ano



sem muita vontade de fazer o que quer que seja e com um batalhão de análises para fazer, a vontade de começar este ano com um sorriso está a adiar-se demais para o meu gosto.

mas nada melhor que mostrar um filme que tenho visto vezes sem conta (via papel de lustro) e que apesar de um argumento um pouco assustador, não deixa de ser plasticamente um filme delicioso. Realizado pelo espanhol Rodrigo Blass, conta ainda com grandes nomes da animação. ainda é possível ver online, mas há que apressar, pois encontra-se por tempo limitado

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...