7.30.2010

esticar o tempo




sem o querer sobrecarregar com actividades, esticamos o nosso tempo e repartimo-lo naquilo que nos dá mais prazer, entre papéis velhos cheios de histórias, e de um livro no seu fim, entregamo-nos a outras histórias umas inventadas pelos dois onde o final pode acabar numa versão absolutamente de non sense, ou à leitura de outros.

de olhos postos não em letras, entregou-se com a ajuda da Ângela Marques a um atelier de barro, promovido pelo Município de Avis. do que lá se passou ficou-me esta frase, "pintei-a de azul petróleo, porque gosto"

a primeira foto tem a cortesia do município e para a semana se ainda estivermos por estas paragens, um de origami. obrigada

às portas de um novo mês




com as últimas duas ilustrações entre mãos, respiro fundo e olho para elas com o mesmo olhar de quem olha para um filho.

daqui a uns dias pensa-se em retemperar as forças porque vem aí um novo livro

7.22.2010

em contagem decrescente



quando aceitei fazer este livro e agradeço novamente o convite, tinha um prazo tranquilo para entregar as ilustrações, um prazo que para mim era demasiadamente tranquilo, talvez por gostar de trabalhar numa espécie de "no fio da navalha". por necessidade era preciso entregar o livro em um mês, o que requer disciplina, requer entrega, mas acho que pede na sua essência uma paixão enorme pelo que se faz.

agora e já numa fase de contagem decrescente, lembro-me de uma frase que ouvi a minha mãe dizer várias vezes "a ajuda do menino é pouca mas quem a perde é louca". com o Manel a tempo inteiro em casa é preciso gerir o tempo de modo a se sentir acompanhado. desta vez resolvi aproveitar a sua ajuda na construção da segunda ilustração, porque são dele as letras e soube-me tão bem tê-lo assim ao pé de mim...

entre páginas



o sabor de estar entre livros, os que vou ilustrando e os dos outros. fazem-se pausas. perco-me em leituras.

7.16.2010

layers




um dos grandes prazeres do meu trabalho tem sido o de ter a sorte de poder trabalhar com papéis antigos, alguns tão antigos que não sinto coragem de os usar, não só pelos anos, mas por tudo, o que em determinada altura representaram. contam histórias e algumas nada bonitas. muitos contam histórias carregadas de ressentimentos. páro a leitura, as vidas de outros entram na minha como um romance, um romance que teve início antes da primeira grande guerra.

ouvi histórias contadas na terceira pessoa, mas hoje reconstítuo a história deles pelas suas próprias mãos. uma história de amor que teve o seu fim.

aos poucos desprendo-me do lado afectivo e redescubro papéis fantásticos, de uma grande riqueza plástica. camada a camada libertam-se como também eu me vou libertando deles e me entrego ao meu trabalho. são papéis que escondem outros papéis. como algumas pessoas que vamos conhecendo na vida, como se se revelassem em cada camada que retiram e algumas nos deixam tão tristes.

7.13.2010

C e D



as horas atropelam-se, os sonos trocam-se e as noites prolongam-se acompanhadas por um livro fantástico "Santa Maria do Circo", de David Toscana, editado pela Oficina do Livro. Confesso que gosto bastante mais destas duas capas, que traduzem melhor esta sátira, um é da editora espanhola Plaza Janés, apesar de não gostar da colocação do lettering que destrói a ilustração, e o outro da brasileira Casa da Palavra, talvez por me recordar Frida Kahlo.

e Divine Comedy, the booklovers via papel de lustro

7.12.2010

Q e R



num verdadeiro contra-relógio para entregar este livro, decidimos fugir por um par de dias. vi-o feliz e com outras cores.

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