4.27.2011

mães


a antecipar um dia - Jean Dieuzaide, 1954, Portugal, mulheres da Nazaré



e uma época que passou - Jean Dieuzaide, 1954, Portugal, menina com coelho

4.21.2011

ao cartão



Em Uma Solidão Demasiado Ruidosa, o escritor checo Bohumil Hrabal, conta a história de um homem que vive os seus dias a recolher toneladas de livros e papéis velhos, (que sorte), entre os quais encontra obras de Goethe e Nietzsche, mudando-lhe o modo de pensar. Um simples catador de papel, passa a dar ao lixo um novo significado.

No fundo essa é a proposta do colectivo artístico Dulcinéia Catadora (Brasil), que integra a rede latino-americana de projectos idênticos, que teve a sua origem na Argentina, com o projecto Eloísa Cartonera em sequência da crise, publicando desde 2003 livros de autores argentinos, como Ricardo Piglia, (a revista do EL Pais começou a publicar aos sábados o seu diário), Alan Pauls, Mario Bellatin, César Aira, entre outros

Um projecto que envolve artistas plásticos, escritores e, claro, catadores de cartão. O objectivo é a venda de livros a preços mais reduzidos, e que funciona ainda como gerador de emprego.

João Despenteado, com a assinatura de Margarida Botelho, a participação no projecto Dulcineia Catadora durante a sua passagem por São Paulo, conta-nos a história de um rapaz, que, não havia pente que lhe baixasse os cabelos. Talvez, pelas suas ideias despenteadas.
Como a maioria das crianças andava de mão dada com amigos imaginários, uma mistura de bichos, meninos e sonhos. Com tantos amigos imaginários, João decidiu “catalogá-los” por ordem alfabética. Araclídio, encabeçava a lista. Com corpo de menino e mãos de aranha havia “sempre uma nova teia de brincadeiras”. Boitonho, Crocodilária, Dinomário, Elegildo, são apenas alguns dos nomes que encontramos nesta história, que actuavam “para todos os outros amigos que dançavam a noite inteira, e certamente voltariam a se encontrar num próximo sonho…”

João Despenteado não foge à regra destes livros, capas todas elas únicas, pintadas à mão, coloridas, com um grafismo muito pouco convencional e feitas em cartão. As ilustrações são resultado de um atelier de figuras tridimensionais orientado pela Margarida junto de jovens que integram o colectivo (ver blog).

No Brasil existe cerca de 1 milhão de catadores e só em São Paulo são 30 mil. Por falar em São Paulo, quatro da minha lista já estão na mala e chegam no domingo.

Mais destes colectivos - Animita Cartonera Santiago do Chile, Sarita Cartonera, Peru, La Cartonera no México, Yiyi Jambo, Paraguai, Matapalo Cartonera, Equador, Yerba Mala , La Paz, Bolívia, Mandrágora Cartonera, Bolívia.







dos outros




já tinha falado do lançamento deste livro, mas nada se compara ao folhear, ao ter um livro na mão, sentir-lhe o cheiro, perdermo-nos nas páginas, nas imagens, lê-lo antes de o ler a ele. e não é este, é sempre assim.

A Árvore Vermelha de Shaun Tan, editado pela Kalandraka, é uma história sem uma narrativa particular, mas que através das suas imagens, convida os leitores a desenharem o seu próprio significado e a reinventarem a sua própria história, com significados muito particulares. Cheio de metáforas, como monstros, tempestades e arco-íris. Uma personagem triste, perdida, quase a sentir-se vencida. Mas, quando, menos se espera, uma esperança renasce.

a Yara está de parabéns

atelier pour enfants, um blog que gosto muito

4.13.2011

EVA(S)







Falei pela primeira com a Margarida em 2008 no Auditório Augusto Cabrita, num encontro de ilustradores. Já era a Margarida que eu revi no sábado, apaixonada pelo que faz, vibrante, que nos envolve nas palavras e nas vivências.


Lembro-me de ter recebido um mail onde a Margarida se despedia, dizendo que iria estar fora por uns tempos. Na altura e quem já seguia o seu trabalho sentiu uma espécie de perda. Hoje sabemos que não. Voltou uma Margarida mais forte, na mala e no coração vivências e afectos que só a ouvindo falar nos damos conta.

Fui ouvi-la no sábado, tantas histórias que ficaram por contar e que se percebe tão bem que ela ficaria ali perdida no espaço e no tempo a recordá-las.

Destes meses fora, correu continentes, ganhou amigos e enriqueceu o seu trabalho.

“EVA é a história documental de duas culturas que poderão ter mais coisas em comum do que à partida se imagina. Eva ou Evas… uma menina que vive na EUROPA, num país que poderá ser PORTUGAL, e outra menina que vive em ÁFRICA, num país que poderá ser MOÇAMBIQUE, iniciam em lados opostos do livro uma viagem para o encontro! Eva é um livro que celebra a diversidade e a pluralidade do mundo com os seus encontros e desencontros. Eva é também um livro que apresenta uma expressão visual desafiante para o leitor.”



Haviam muitas histórias que me apeteciam reproduzir aqui, mas ficariam muito longe do modo como a Margarida as contou. A EVA africana é uma menina que se chama Lina e que esteve quase até ao último minuto sem rosto. “As fotos estavam más, pixelizadas, desfocadas, mas tinha de ser ela” e conseguiu.

Quase, quase nas livrarias e mais fotos aqui

4.09.2011

assim ou assado



ou nuances de modernidade. não sei. sei que aquele sábado em Évora fez-me pensar em grandes e pequenas coisas. coisas tão sem importância como o atar os atacadores.

a minha amiga contava-me que o filho, também ele com 7 anos, insistia no facto de lhe atarem os atacadores "à velho". pelos vistos estamos démodés, old fashions, out-of-date, enfim velhos.

sendo eu uma filha tardia, deu direito a ser mais prima do primeiro sobrinho, mais irmã da segunda e finalmente e no seu lugar, tia da terceira.

No "meu tempo "usavam-se all star, bota, claro e era alvo de troça do sobrinho que não tardou a ter os seus e os envergava com um dado orgulho.

hoje o Manel também os calça. já os tinha calçado há uns anos, mas hoje e por influência do D. quer a pala para fora.

bolas, não quero ser velha, mas também não quero me sentir como a Ana Markl, escrevia hoje no Expresso, uma velha gaiteira.

estes posts serão "taggados" por coisas que nos fazem pensar e que são uma treta.

4.08.2011

"deslizando sem parar"


eles partem amanhã para o Brasil. podiam ser só duas semanas de descanso, se não fosse a ideia de irem viver para lá, ou a hipótese de. na mala levam ideias, incertezas, esperança de ficarem por cá e uma lista. grande. de livros, claro. minha. com reais convertidos para euros, para também eu não ter de fazer as malas.
fica este silêncio...
em cima um projecto em que estou a trabalhar, não para mim, mas que em breve será "pincelado" pela cor do trabalho de outros.

4.06.2011

(o) e ainda de évora





A esfera armilar tornou-se um símbolo da ciência com os seus anéis e formas elegantes. É a Eratóstenes que se atribui a invenção da esfera armilar, por volta do ano 255 dc. Os seus anéis representam círculos da esfera celestial, como o meridiano, o equador, os trópicos. A terra é representada pela esfera de bronze situada no centro da esfera armilar.

Évora trouxe-me Lisboa ao coração com o Darwin's Café, em que os candeeiros têm a estrutura de uma esfera armilar.

I II IIII II I IIII




Há dias bons, há dias maus, há dias que são melhores que os outros e para o Manel o último é sempre o melhor dia da vida dele. Intensos e dramáticos, eles transportam-nos tantas vezes para as coisas mais simples da vida. Talvez também nós, os crescidos, pudéssemos dizer de um simples dia com amigos, que fosse o nosso melhor dia.

No sábado partimos logo cedo para Évora, não que a distância fosse muita, mas para aproveitar o dia. Não conhecia a Biblioteca Pública de Évora e confesso que parecia uma criança nessa capacidade “esponja” de absorver todo aquele espaço.

Já muito diferente do que hoje as bibliotecas se tornaram, enquanto espaço, mas de uma riqueza (sem falar no acervo) visual absolutamente fantástica, que tive vontade de me sentar, voltar aos tempos de faculdade, e estudar.

Muitos são os livros que só com pedido especial podem ser consultados. Não lhes toquei, apenas com os olhos, a reter na memória o máximo que conseguia. Estantes e estantes, prateleiras que nos fazem sonhar, objectos que pedem para ser tocados, cadeiras que nos convidam a permanecer. Quero voltar, sem pressas.

4.04.2011

guarda






num dia de sol talvez não faça muito sentido falar em guarda-chuva e quem me conhece sabe que é quase contra-natura. raras são as vezes em que a chuva me traz sensações boas. talvez as primeiras chuvas, os primeiros cheiros a terra molhada, as primeiras vontades de permanecer em casa. fora isso, não gosto de chuva. mas gosto deste livro escrito por Davide Cali (já com alguns títulos editados em Portugal) e ilustrado por Valerio Vidali.


falando com uma amiga e a propósito do programa que a Biblioteca Pública de Évora ofereceu no dia do livro infantil, as histórias contadas tiveram esta "muleta" que visualmente é muito rica dando forma e envolvência ao espaço.


Um dia, Um Guarda-Chuva, editado pelo Planeta Tangerina conta-nos a história de um senhor que perde o seu guarda-chuva e como passa de mão em mão, acabando onde menos se espera. o mais interessante neste livro e talvez mais do que a narrativa, é a maneira súbtil como o ilustrador vai deixando pistas para a próxima página.


A história começa quando o sr do cachimbo deixa o guarda-chuva no autocarro, e já se vê o ladrão a roubar a carteira da senhora do chapéu encarnado, que na segunda página o usa para afugentá-lo e assim sucessivamente. tornou-se um desafio descobrir com "ele" essas pistas.


não gosto de chuva, mas gosto do meu chapéu, que há quem não se importava que eu o perdesse, por o achar um pouco "maricas"

4.03.2011

shaun tan



A grande novidade (via papel de lustro) é a obra de Shaun Tan publicada agora em português. Ilustrador, escritor e vencedor do óscar de melhor curta de animação 2010, pelo filme The Lost Thing, a partir do livro com o mesmo nome.

Vencedor ainda de um dos mais importantes prémios internacionais de literatura infantil, The Astrid Lidgren Memorial Award - ALMA, e onde nomes como Alice Vieira, Palavras Andarilhas e Bibliomóvel também estiveram nomeados.

Regressando ao início do post a editora Contraponto lança "Conto dos subúrbios", disponível a partir de 8 de Abril e a editora Kalandraka com "A Árvore Vermelha" (ler mais sobre o livro)

4.01.2011

dia 2




A assinalar o Dia Internacional do Livro Infantil, a Biblioteca Pública de Évora, convidou cinco ilustradoras que nos remetem para este fascinante mundo que é o imaginário infantil. Vou estar na companhia de Filipa Canhestro, Maria Remédio, Marta Madureira e Teresa Cortez.


Inauguração dia 2 de Abril, 17h. Exposição patente na Biblioteca Pública de Évora de 2 a 20 de Abril



A outra exposição e neste caso só com originais meus é numa das Bibliotecas com a hora do conto mais bonita que vi até hoje e inaugura amanhã inserida no programa dos "Contos Traquinas pelas Esquinas"



depois de uns dias loucos, uma pequena pausa para tentar por os mails em dia



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