6.27.2011

exposição na Fábrica do Braço de Prata






















obrigada pelo texto

Traços de Ternura

A ilustradora Rute Reimão traz à Fábrica do Braço de Prata algum do seu trabalho mais recente. Dois inéditos somam-se a algumas das ilustrações originais  feitas para «Histórias do Barco da Velha», «Alfabeto Trapalhão» e «Os Segredos dos Dragões», os três mais recentes livros infantis em que trabalhou.
Preparem-se, pois, os visitantes desta exposição – pequenos ou crescidos – para se encantarem.
Vamos navegar pelo «Barco da Velha», deixar-nos enlear por um «Alfabeto Trapalhão» e ficar pasmados perante «Os Segredos dos Dragões». E perceber o poder encantatório da ilustração assinada por Rute Reimão.
Quem já conhecia os trabalhos anteriores, reconhecerá um estilo que é marcante e muito próprio. Quem agora contacta pela primeira vez com o trabalho de Rute Reimão, vai rapidamente perceber do que estamos a falar. Uma mistura de técnica e sensibilidade que nos agarra pelo coração e que, mesmo aos mais crescidos, os faz voltar a (querer) ser crianças.
Se houvesse uma palavra – felizmente há muito mais, todas aquelas que quisermos ­- para definir o trabalho de Rute Reimão seria ternura. Ternura (assim, com maísculas). A que sentimos que ela derramou para cada um dos seus trabalhos, a que emana dos mais pequenos detalhes, de cada um dos seus traços.
Veja-se, nos trabalhos expostos nesta Sala Eduardo Prado Coelho, como até os dragões da Rute nos provocam esse delicioso sobressalto de ternura.
Eugénio de Andrade, poeta grande e da particular predilecção desta ilustradora,  apelou-nos: «Procura a maravilha». Pois no trabalho da Rute Reimão, como estas cerca de duas dezenas de ilustrações demonstram, nós descobrimos que ainda dispomos da capacidade de nos encantar e enternecer. Encontrámos a maravilha, pois.

«Procura a maravilha.
Onde um beijo sabe
a barcos e bruma.»

Eugénio de Andrade

Mais informações aqui http://issuu.com/ExposicoesFBP/docs/exposicoes_julho-agosto_2011-press.com

sempre de lá























É de lá que eu sinto falta. sinto saudades. não é da praia. é do cheiro da maresia. é dos passeios ao fim da tarde pela areia quando só resta quem gosta dela. é vê-lo à noite pedir para molhar os pés, e lá de cima do paredão, lembrar-me quando tinha a idade dele.

não estive com quem mais queria, por isso venho com esta sensação estranha. de metade, de meia coisa, de estado incompleto.

volto a mergulhar no trabalho à espera que o próximo dia chegue depressa.




































Acabaram as aulas e é tempo de balanços, mais do que no final dos anos civis, é, nos anos escolares que eu estabeleço metas, objectivos, vontades. De mudança. Nem sempre, mas cada vez mais. Acabaram as aulas e eu sei que ainda não consegui fazer aquilo que queria. "Verão é o tempo grande". Espero.

"É o tempo
em que o sol queima
e apetece estar deitado
à sombra das árvores
a ouvir conversas
de passarinhos."

os 97 anos de Maria Keil escrito pelo Miguel Horta

O Verão é o tempo grande, de Maria Isabel César Anjo e ilustrações de Maria Keil, editado pela Sá da Costa Infantil

6.21.2011

três dias



















intensos, absorventes, cansativos. que nos consomem forças que nem sabemos que temos. depois de um atelier com 80 meninos do pré-primário, seguiu-se o lançamento do livro "Os segredos dos dragões" com a presença de António Mota. Confesso a falta de coordenação com outras actividades o que prejudicou em muito a apresentação.

os dias passaram-se com vários ateliers e o painel de 6 metros foi-se compondo com os pássaros que "eles" íam fazendo.

o bom, foram as visitas de gente de perto e de longe que fez questão em lá estar para um abraço. o outro bom foi a aula de yoga que a Rita Goldrajch veio dar para crianças e pais de crianças :)

agora com o fim da feira vem o trabalho mais chato, as devoluções, as guias de transporte, as contas, mas até ao final da semana quem quiser adquirir "Os segredos dos dragões" assinado, pode fazer enviando um mail para rreimao@gmail.com

a partir de agora os ateliers terão a 3M a dar apoio com material para os pequenotes trabalharem

mais fotos aqui

6.13.2011

Feira do livro em Avis



porque gostamos de livros, porque as letras e as imagens fazem parte do nosso trabalho, nós (Alémtudo), juntámo-nos ao Município de Avis, na Feira do Livro. Um programa cheio, sempre com meninos por perto. O António Mota junta-se a esta festa e vamos falar-vos de um livro a quatro mãos "Os segredos dos dragões". A Rita Goldrajch vai l...á estar com um atelier de yoga para crianças. Apareçam e deixem-se embalar. Claro que a Feira é para pequenos e graúdos e estes também têm o seu tempo. O António Costa Santos traz-nos "Proibido". É proibido faltar. Mas nada melhor do que consultar o programa

6.03.2011

a crescer






















Para ti. Porque é o teu primeiro teste. Porque são dias que nunca mais esquecemos. Porque hoje a barriga doeu.

A ilustração é do livro "Outono é o Tempo a Envelhecer", texto de Maria Isabel César Anjo e ilustrações de Maria Keil, ed. Sá da Costa, 1981

6.02.2011

quinta-feira de espiga




























Filha de uma mãe desiludida com a igreja, cresci um pouco fora de rituais cristãos, e de outros que a memória tratou de os confundir e se tornaram mais ou menos pagãos.

Já lá vão muitos anos desde que tive o primeiro ramo de espigas na mão. Estava a chegar ao jornal e na recepção esperava-me um envelope sem remetente.
Sempre carregada com malas e bagagens, agarrei-o. Morri quase de curiosidade, mas só o abri já na minha secretária. Lembro-me de o ter aberto ainda em pé e de ter exclamado – ofereceram-me flores do campo.

Falei alto, enterneci-me, revi na memória quem pudesse ser o autor de tal envio. Sim, porque gosto de flores do campo. Sim, porque alguém sabia que eu gostava de flores do campo. Uma outra voz falou mais alto – Rute, hoje é quinta-feira de espigas.
Envergonhei-me, sim, é verdade, mas houve alguém que se lembrou de mim.

Percebo cada vez mais que viver no interior se tornou sinónimo de solidão.
Lisboa mantém as suas vendedoras de ramos, e o que seria natural é que hoje, um dia em “que nem os pássaros bolem nos ninhos”, conforme a tradição, se pudesse ir para os campos colher as ditas flores, não fosse agora um Alentejo vedado, farpado e cada vez mais sozinho.

Que haja espigas com fartura, que os malmequeres continuem a despontar, pinceladas de encarnado retoquem molhos de alecrim para gozarmos as videiras com uma oliveira de candeia.

com o tempo a fugir
























Sem tempo e com sinais visíveis de cansaço, gostava de ter falado neste livro ontem, no dia em que se comemorava o Dia Mundial da Criança.
Aborrece-me haver dias determinados para se comemorar seja o que for, ainda mais quando passamos a vida a ouvir a expressão “o natal é quando um homem quiser”, pois se assim for, quero acreditar que todos os dias, são de todos e de tudo.

"Toda a criança gosta" de Bia Hetzel e Mariana Massarani, também ela co-autora do blog em Capa Dura em Cingapura. Um livro que vive muito do trabalho fabuloso da Mariana, mas é essencialmente e como as próprias o referem “um livro inventado por duas cabeças e um só coração de criança”.

Ao lê-lo e relê-lo com o Manel apercebo-me que não estamos tão longe assim.

Um projecto a quatro mãos, para a escola, que estava um bocado (bastante) atrasado.

E o sorriso colorido de muitos meninos do Gavião que ontem participaram no atelier “A Árvore das Folhas A4”

Com o Manel a entrar na recta final de mais um ano, apercebo-me que eu iniciei a minha corrida. Para Setembro estão agendados três novos livros (Gailivro e Gatafunho), uma exposição e um trabalho para a revista Egoísta.
Sinto-me uma espécie de formiga que recolhe no Verão para desfrutar o Inverno, mas em boa verdade e quem me conhece sabe que sofro do mal da cigarra.
 

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