8.30.2011

branco




















começo a embalar os quadros e num embalo sonho de um dia voltar a casa.
preciso de romper com este branco que me invade. abraçar a cor que cada pincelada de branco esconde.

a cor da cal de José Manuel Vilhena

8.26.2011

white


























Quando comecei a trabalhar nesta exposição tinha na cabeça a vontade de materializar um projecto que já tinha dado alguns passos, – “desta paisagem que habito”.
Viver por opção num sítio, não significa forçosamente felicidade. Os campos não são na maioria das vezes verdes, nem estão pincelados de cor.
Aprendi nestes anos a dureza de viver no interior, num meio pequeno, fechado.
Um projecto que começou assim, num despertar de cor e que se veio a revelar, hoje, branco.
Talvez fosse a palavra que melhor definisse este Alentejo, que às vezes tem cor.
Branco da cal que em dias de sol espelha a luz. Branco da cal que em dias de céu carregado explode na sua cor. Branco das casas, das vidas, das mulheres que à noite se juntam, para dos novelos de linha criarem raízes. E num entrelaçar de pontos se junta e se confunde a terra, a casa, a família.
Branco de quem não consegue ser transparente.

8.23.2011

don't panic














focus. focus. focus. mas a menos de 15 dias de inaugurar a exposição na Galeria Augusto Bértholo, em Alhandra (Vila Franca de Xira), sinto a enorme vontade de alterar tudo

8.22.2011

dias que passam



















Entre praia, passeios e muito trabalho foi bom vê-lo crescer. Agarrou-se aos livros sem imagens. a leituras intermináveis. às aventuras, ao mundo de Potter, por arrasto surgiu Harum e o mar de Histórias, de Salman Rushdie. aos teus 7 anos

8.08.2011

serrania















































Com a planície para trás começamos a subir à serra. Sem darmos por isso o terreno serpenteia-se à nossa frente. É uma travessia aflitiva e maravilhosa.
Ficamos com uma sensação de angústia provocada pelo isolamento. Rumamos a Querença, uma freguesia do concelho de Loulé, que conserva uma boa parte da sua traça tradicional. Ruas íngremes, de pedra, dão lugar a novas casas, perdendo-se as casas de talisca, pardacentas e de tectos colmados.
O chão cobre-se de alfarrobas dando-nos a sensação de estarmos a pisar a própria árvore.

Quem chega e quer saber, tem de perguntar, e muito. Encontrámos Filipa de Sousa graças a uma mulher idosa que nos fez companhia e nos levou até às suas bonecas de trapo.
A caminhar para os 80 anos, mantém a mão firme e a lucidez para nos contar a história por trás de cada boneca. Mantém a vivacidade e um desembaraço no falar. Uma entrega que se vê e se sente, quando procura uma determinada boneca e me diz: “esta é a que eu gosto mais. Gosto da cara. É bonita”.
Pelas bonecas ficamos a conhecer um pouco da etnografia local.
Os tecidos, diz Filipa, já me acompanham há muitos anos. Cada prega, cada ponto resulta das muitas recolhas que Filipa fez e continua a fazer.

Fiquei com a mulher da empreita, a arte de confeccionar esteiras, cestos, chapéus e golpelhas com palma, na cor natural ou colorida em vários tons.
Das mãos de Filipa, já não saem, por demorar muito o tempo a preparação, os bonecos em pasta de papel. Fiquei com pena.

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