10.27.2011

e há chuva lá fora


o lado bom de se poder trabalhar em casa é, em dias como este, a chuva ficar-se pela janela.
termina-se um livro. repensam-se outros dois. é tempo de retomar uma manta. de te esperar vindo da escola. nesta nova partilha que são os chás.

podiam ser três. ao sabor de um feijoeiro mágico

guardas



















As guardas que os livros guardam, ou que guardam os livros, guardam comigo pelo menos dois corações enormes. falo delas, sem falar, sabem quem são sem lhes dizer o nome. sabem que estão guardadas no coração. no meu.

cheias de cor. de cheiros. de texturas. de palavras doces. de avelãs do caminho a um feliz outono.
falo delas. têm rosto. não pedem nada. têm nome.

luisa

marta

estão guardadas nos meus livros.
hoje parte para elas o que não lhes consigo retribuir. por tudo

10.26.2011

acordar
























depois de um verão tardio, o outono deixou-se atropelar por um inverno que não se queria tão cedo

10.20.2011

um post demasiado longo





ou um desabafo demasiado curto...

há coisas, neste estatuto de ser crescido que me tiram do sério, falo das perguntas que tantas vezes ouço adultos fazerem aos mais pequenos, como já tens namorado(a), ou o que vais ser quando fores grande. como se fosse possível, em tempos destes, ter tantas certezas...

prefiro as palavras de Álvaro Magalhães, em "O Brincador"

“Quando for grande, não quero ser médico, engenheiro ou professor.
Não quero trabalhar de manhã à noite, seja no que for.
Quero brincar de manhã à noite, seja com o que for.
Quando for grande quero ser um brincador. Ficam, portanto, a saber: não vou para a escola aprender a ser um médico, um engenheiro ou um professor.
Tenho mais em que pensar e muito mais que fazer.
Tenho tanto que brincar, como brinca um brincador, muito mais o que sonhar, como sonha um sonhador e também imaginar, como imagina um imaginador…
A minha mãe diz que não pode ser, que não é profissão de gente crescida.
E depois acrescenta, a suspirar: "é assim a vida".
Custa tanto acreditar! Pessoas que são capazes, que um dia também foram raparigas e rapazes, mas já não podem brincar.
A vida é assim? Não para mim. Quando for grande, quero ser brincador.
Brincar e crescer, crescer e brincar, até a morte vir bater à minha porta.
Depois também, sardanisca verde que continua a rabiar depois de morta.
Na minha sepultura, vão escrever: "Aqui jaz um brincador. Era um homem simples e dedicado, muito dado, que se levantava cedo todas as manhãs, para ir brincar com as palavras".


Já o livro, "O que é o amor?", foi para mim uma deliciosa surpresa. Gosto de afectos, ternura, mas não gosto de frases feitas, de powerpoints com imagens idílicas, de ursinhos que ostentam corações só para dias especiais. não gosto de dias forçosamente especiais.

Do mesmo autor do livro "Eu espero", trazido para Portugal pelas mãos da Bruáa, "O que é o amor?", (editora Gato na Lua), torna-se pelas letras de Davide Calí uma divertida e incontornável abordagem de um tema completamente intemporal, intensificado pelas ilustrações de Anna Laura Cantone.

10.17.2011

grandes e pequenas



“Comissão de Lágrimas” o novo romance de António Lobo Antunes, o livro que me reconciliou com o escritor depois de uma indisposição com “Que Cavalos São Aqueles Que Fazem Sombra No Mar”.

Um livro denso sobre Angola depois da Independência. A culpa, a vingança e uma “inocência perdida” a que o autor se refere.

“…quando choramos os olhos babam saliva, é na garganta que se juntam as folhas secas das lágrimas, se as pisarmos, mesmo de leve, protestam logo…”


Leituras mais pequenas

“Como é que uma galinha…”, da autoria de Isabel Minhós Martins, com ilustração de Yara Kono, publicada pela Planeta Tangerina, não é apenas uma história, mas uma grande questão. Quem sabe nos fará olhar para as galinhas de um modo diferente.

A verdade é que quando pensamos em galinha, somos quase impelidos a dizer palavras como “estúpida”, “pouco inteligente”, “uma ave que tem penas, mas que nem voa”, que passa o dia a “esgravatar, cacarejar e a fazer cocó por todo o lado”.



Mas como é que um bicho assim, tal como a autora o descreve, é capaz de fazer sair de dentro dela uma pequena obra de arte que é o ovo. “Com tanta matemática,/ tanta biologia,/Tanta simplicidade,/ tanta sabedoria…” e gastronomicamente falando, perfeito.
Pois é, uma ave “tonta, tonta, tão tontinha, mas que, pelos vistos, é artista”.

Ainda, da editora El Jinete Azul, “El lenguaje de las cosas”, com texto de Maria José Ferrada e ilustração Pep Carrió


10.14.2011

work...

























A terminar um novo livro, o tempo divide-se por Lisboa com ateliers nas escolas públicas. Amanhã e para quem quiser aparecer em Évora, na Praça do Sertório às 16H30 uma oficina para crianças.

10.13.2011

cheiro a terra




Quando decidimos trocar a vida da cidade por uma vida mais calma, vivi a mudança com a euforia de quem acredita que se muda para melhor. Que quer mudar modos e estilos de vida.

Mas aos poucos o tempo pesa e começam a pesar as coisas mais insignificantes. Lembro-me de fazermos quilómetros para comprar “aquele enchido”, “aquele frango”. O tempo passa e habituados a fazer pelo menos uma refeição fora de casa percebemos, quão limitados estávamos nesta matéria.

Agora fazemos quilómetros para fugir a uma carne de porco ou a um frango frito.

Comer fora, aqui, tornou-se mais do mesmo, pelo menos para um grupo de amigos que teima em se juntar uma vez por semana e que se não fosse pela companhia, não era a gula que nos movia.

Aos poucos têm entrado outros hábitos alimentares, na procura de um prazer que se tem perdido. Estamos a gostar.

E cada vez mais fã da brio.
castelo de claras, o blog da marta em que os olhos também comem

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