1.31.2012

adoçar a vida





























Trabalhar por conta própria tem os seus riscos e a actual conjuntura é prova disso mesmo. Com uma Leya a cortar despesas, com uma empresa às costas com todos os seus encargos,  a cozinha tem sido um escape.

receita aqui

1.30.2012

e trocar de mentalidade?

















Esta é talvez a última fotografia com mais partilhas no FB e a que gera uma onda de indignação generalizada. Eu só me consigo recordar do recente texto publicado no Actual com o tema "Círculo vicioso", de António Guerreiro, onde editores como Luís Oliveira ou Manuel Rosa da Assírio se queixam deste "mercado selvagem para onde o livro caminha".
André Jorge da Cotovia fala-nos como "é ilusória esta conceção genérica do livro como um bem cultural, quando na verdade o mercado do livro, na verdade, é predominantemente alimentado por produtos que não têm nenhum valor cultural, nem literário, nem formativo."
Mas de quem é a culpa? Dos grandes grupos editoriais que preferem comprar direitos a apostar em autores e ilustradores nacionais, só porque é mais barato? Ou nossa que trocámos as livrarias  históricas por estes espaços?
A Fnac adoptou um sistema de "produto fresco" igual aos supermercados, há o que é do dia, e o resto se houver está numa cinta com mais um, ou outro livro a um preço reduzido, mas cuidado porque mesmo assim pode estar fora da validade.
Ai que saudades tuas, Torcato.

1.29.2012

a minha relação com o fumo





























Começo por dizer que não fumo há quase 6 anos. Não fumei durante a gravidez, mas em determinado momento recomecei e em força. Estranho, era uma fumadora tardia, e a relação que tinha com os cigarros não era a do prazer do gosto, do fumo que enchia a boca. era de escape. de nuvem que nos envolve e nos esconde.

Comecei a fumar tarde. muito tarde. engoli a morte da minha mãe. e quando dei por mim tinha acabado de "comer" um maço de cigarros.

Um dia, a seguir à viagem de uma amigo ao Brasil fui introduzida no prazer das cigarrilhas e aí sim, posso dizer que fumar era um prazer. Seguiram-se as viagens, os jantares tardios, os passeios fora de horas, os charutos, as lojas de velharias que teimávamos em entrar, as casas velhas de campo que sonhámos comprar. e os vinte três anos que nos separavam. vivemos na minha intensidade, com a calma de alguém que já não tinha pressa.

Hoje, à procura de um livro encontrei-te neste passado de há muitos anos. Dele ficaram dois charutos e um diário. La Paz... 

1.27.2012

sweetness


















Filha de uma mulher com carta de pasteleiro, numa altura em que não lhes era reconhecido o direito de serem "primeiros pasteleiros", cresci com o som do açúcar entre as varetas de metal.

Cresci sem aprender uma única receita, porque "ela" estava lá. porque "ela" era melhor.

Deixou-nos sem escrever uma linha daquilo que sabia, porque o sabia de olhos fechados, porque a concha das mãos eram medidas.

Sem ser apreciadora de doces, - o que parece ser genético -, é com doçura que me entrego a cada coisa que faço.

a receita aqui

1.26.2012

para onde vamos





















"Para onde vamos quando desaparecemos" é um livro que nos fala muito além da ausência, da morte, da perda ou da falta. Fala-nos daquilo que a vida é, cheia de grandes e pequenas coisas.Cheia de tudo e de nada.

(...) "De quem fica, quase sempre se diz
que fica de mãos vazias.
Mas a verdade é que quem parte
lhe deixa sempre um monte de perguntas."(...)

"felizmente
(ou infelizmente, sei lá)
não somos os únicos
a desaparecer." (...)

O que dizer do sol, das nuvens, das folhas, da meia que não encontramos o par, do areal que desapareceu e de outra praia que se formou.

"Nada dura para sempre (...)
Melhor do que nada...
O nada é um sítio demasiado vazio
para alguém lá estar.
E se formos lá parar,
deixará de ser o nada em menos de nada."

A verdade é que não sabemos lidar com a morte, com a falta, com a ausência, por muito que digamos que é a lei natural da vida. Eu não quero pensar que vivo, que trabalho, que crio, que me esforço, que sofro, que choro, que rio, para um dia tudo acabar.
Acho que o problema não é sabermos lidar com a morte e aprender a aceitar que faz parte da vida. O problema é que não aprendemos a viver.

Nada melhor que um elogio à vida, a boneca da Rosa Pomar (nº 157). 

1.25.2012

in love































Apaixonada pelo trabalho desta artista húngara, Eszterda. E por esta boneca (primeira foto) em particular.

Não chegou a primavera, mas as limpezas começaram a sério por estas bandas. Por isso estejam atentos porque pode surgir por aqui um "giveaway". Não é o caso da segunda boneca, que faz parte da minha colecção de "doll makers". Esta da Alexandra Regadas.  


1.18.2012

a gigantesca pequena coisa

































Se há livros que apetecem abraçar, este é o livro. Não só pelo tamanho, (aproximadamente um A2), pela forma, mas pelo texto e pelas ilustrações que ganham uma dimensão quase real.

"A gigantesca pequena coisa" de Beatrice Alemagna, fala-nos daquilo que nos move, a procura da felicidade e que tantas vezes, estando ali mesmo, pertinho de nós, não a sabemos reconhecer.

"Num dia de verão, ela passou por ali,
mesmo ao lado dos pés de Sebastião.

Um menina tentou apanhá-la,
como se fosse uma mosca.(...)

Alguém a encontrou no meio da chuva,
um minuto ou dois, no máximo.
Esse minuto bastou-lhe.(...)

As pessoas encontram-na nos cheiros,
nos olhares.
Nos braços dos outros (...)"

A ilustração da criança nos braços de uma mulher fez-me lembrar uma foto que está na exposição da Frida Kahlo no Museu da Cidade até ao fim deste mês. E porque os dias apetecem vale a pena uma visita ao jardim  Bordallo Pinheiro.

Mais fotos aqui e um pouco mais do livro acolá

1.17.2012

viver no campo e desabafos






















Quem me conhece sabe que é lá longe onde o mar habita que eu me sinto bem.
Aqui vivo, pelo menos da melhor maneira que sei. Mas viver no interior não é fácil e já nem falo de cultura, da falta de um filme ou de um livro que se quer e que se fica dias à espera. Recebe-se, porque se encomenda à distância. Ou porque se foge...



"Viver no campo", e este viver no campo é relativo, é aprender a planear, é esperar que a memória não nos traia, ou os "post-it's" não acabem. Faltar um bem essencial a um domingo, significa fazer 70km para o conseguir.


Experimentar receitas novas com uma dada impetuosidade, não é para quem viva no campo... e apesar do queijo vir cortado aos triângulos, estava bom.

A receita aqui

1.16.2012

Sadhana































Se há pessoas de quem apetece falar, a Margarida é sem dúvida uma delas. Pelo modo de estar, de falar, de se dar e entregar a causas. Fala do seu trabalho com uma paixão que até hoje não vi outro ilustrador falar. Talvez porque a Margarida vai muito além da ilustração. As linhas, as cores e as formas são usadas para ajudar outros. Na mala, ela traz uma riqueza invejável, mas que partilha com quem a quiser ouvir.


A última vez que estive com a Margarida tinha chegado de uma longa viagem, mas já falava em partir para Goa. E assim foi. Durante um mês trabalhou com a comunidade rural perto de Chennai, no projecto de reflorestação de Sadhana.


Daqui nasceram centenas de lindíssimos postais feitos à mão. Mas o ano, como conta a Margarida não começou bem para estes meninos, um ciclone arrasou com quase toda a infra estrutura. Ajudar pode fazer a diferença.


a segunda foto faz parte do catálogo desenvolvido pela Margarida Botelho

1.12.2012

alimento no tempo certo























Cresci numa família que lia, lia muito. Li Hemingway, ou Somerset Maugham, quando devia andar a ler os Cinco. Não me importei muito com isso. Já li, li muito. Confesso que me dá muito prazer saber do gosto do M. pelos livros. Sei que lhe falta outras coisas, de rapaz, talvez.

Desde pequeno, o pediatra do Manel achava que ele tinha informação a mais. Hoje acho que pode ter informação fora do tempo. 

Hoje chegou da escola com um sorriso de orelha a orelha, orgulhoso do seu "boneco das preocupações", de como o tinham feito e o que tinha aprendido sobre eles. A par veio a história do Billy. Contou com o entusiasmo de quem descobre o maior tesouro.

Em setembro de 2009 eu escrevia isto e hoje percebo que talvez tenha sido cedo demais. Ou então uma boa razão para redescobrir os nossos livros.

À Helena, um obrigada por ter trazido "isto" para a sala de aula e por me fazer pensar neste assunto.





1.08.2012

depois do natal




“Depois do Natal...
Depois do Natal, tudo é um pouco estranho…


Depois do Natal é um momento suspenso no tempo em que a agitação dá lugar à calma, o frenesim à lentidão e à solidão.
Pode ser um momento perturbador, angustiante mesmo, como todos os ‘depois’, um momento estranho."


Depois de um caos feliz à espera de uma noite, daquela noite, volta tudo aos seus lugares. O Inverno recupera o peso do frio, dos dias pequenos. Editado pela Bags of Books, um livro com a mestria da ilustradora Beatrice Alemagna repleto de cor e pormenor e serenidade.

Hoje a casa ficou mais despida e os olhos dele não deixavam esconder essa tristeza. Fomos para a cozinha fazer os seus queques preferidos. Uns decorados com a personagem que, por agora, o faz vibrar.


Por aqui a nascer uma brincadeira

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...