11.28.2013

dezembro ou lá perto




oficialmente estamos no mês de dezembro, mais por necessidade do que pelo desejo.

apetecia-me cumprir o ritual de só montar a árvore no primeiro domingo do mês de dezembro.

o nosso calendário do advento marca neste momento talvez a data mais importante o dia 15, quando o M. enche as duas mãos de anos.

o resto do tempo será já em casa com surpresas ainda melhores, como uma ida ao Tivoli ver GradPa Elliot e outras surpresas no bolso.

com o calendário do advento os meus carimbos vieram ver a luz do dia. apesar de não me acompanharem desde pequena, é de pequena que me lembro deles.

entrei para a escola mesmo no fim dos anos 70. uma das coisas que me marcou foi a falta de tinta na almofada dos carimbos, não me lembro se por falta de recursos a verdade é que eu era destacada para o serviço de copista.
com uma mão segurava o carimbo enquanto a outra o tentava reproduzir.

agradeço à minha professora esta tarefa, embora calcule o lado interesseiro da coisa, possibilitou-me não só a desenvolver um maior gosto pelo desenho como a evitar aulas de revisão e alguma reguada.

alguns destes carimbos foram oferecidos a pessoas de quem gosto particularmente.

já temos pinheiro. não temos ainda um pinheiro de natal.

"taking home the christmas tree, 1950's"

only for grown ups

da minha experiência em trabalhar com adultos é saber que as dificuldades que sentem são na sua maioria as mesmas que as crianças sentem.

não sei. não consigo. são as palavras que não quero ouvir.

acredito que se pusermos de parte o medo de falhar será um grande passo para a satisfação pessoal.

pede-se só que levem as vossas tesouras...

11.26.2013

o céu dentro de casa


jogos de luz e sombra, num sol que já está tão baixo.

invadem-nos a casa como se de estrelas se se tratassem.

e deixam-nos crer que alguém olha por nós.

a fada tem dez anos e foi-me oferecida pela T. no dia dos meus anos, dia em que soube que estava grávida. acompanha-nos como uma fada protetora. ontem uma estrela veio ter com ela.

a 20 de dezembro de 2008 entrava outra estrela pela casa. junto do quarto do M.


(...)To me, every hour of the light and dark is a miracle, 
Every cubic inch of space is a miracle, 
Every square yard of the surface of the earth is spread with the 
same, 
Every foot of the interior swarms with the same;
Every spear of grass--the frames, limbs, organs, of men and women, 
and all that concerns them, 
All these to me are unspeakably perfect miracles.(...) 

Walt Whitman, Miracles

11.25.2013

adoçar a vida

acredito que o carinho, a ternura, a confiança, a compreensão adoçam mais a vida do que o açúcar.

cá em casa temos um bom exemplo disso. o M. com todos os seus defeitos é uma criança doce, que sofre com as injustiças de outras crianças.

nunca foi de bater e em determinado momento senti-lhe uma tristeza sem fim. não sabe lidar com a maldade e chora. e dói tanto vê-lo chorar.

custa ainda mais forçá-lo a defender-se. que mundo é este que incita crianças a tornarem-se cães de luta.

com quase dez anos, o M nunca provou um rebuçado e este ano pela primeira vez uma pastilha surgiu-lhe na boca. de doces conta-se por uma mão aqueles que ele aceita.

o M. não precisa de açúcar para lhe adoçar a vida.

receita no 220º

11.23.2013

tempo pequeno





depois de um mês e meio relativamente calmo que me permitiu ver a natureza nas suas cambiantes, chega o tempo pequeno.

não são só os dias pequenos.
dezembro devolve-me aos ateliês de ilustração nas escolas.

com alguns trabalhos ainda por finalizar, antecipo uma nova época, porque sei que o M. precisa.
o tempo pequeno é agora usado ao segundo. entre trabalhos, meus e dele, uns sorrisos que me pede para preencher o espaço dos milésimos de segundo.o calendário do advento só vai no número 11.

e há uma árvore para montar. infelizmente não sei qual a autoria da foto.
e ainda experiências no 220º 

11.21.2013

guardiões

este é o número 1 da série de guardiões da artista Sandra Monat e que tem protegido a cama do M. desde 2006.

na busca da data desde boneco percebi que ando nestas andanças de blogs há quase dez anos, quando iniciei o primeiro blog ainda com o sonho de fazer uma espécie de atelier em Avis com o nome OAOA. Cedi o nome para um projeto que achei que teria mais pernas para andar do que o meu até porque só tenho duas...

assumi o meu nome neste blog desde 2008.

há blogs que acompanho desde essa altura e que confesso eram dias bem mais interessantes. o flickr foi o arranque de muitas amizades que ainda hoje permanecem. a imediatização do facebook destruiu este lado humano que os flickers e bloggers mantinham.

Herzensart é como Sandra Monat assina o seu blog e sabe tão bem regressar ao seu espaço.

Apaixonada pelos galões com motivos de circo. falarei mais tarde porque quero juntar a um outro post sobre o mesmo tema.

e eu sei que tenho um guardião nas nossas vidas.

11.19.2013

crescer

- já escreveste a carta ao Pai Natal?
- ...
  não, ainda estou a decidir se Ele existe
- ...

a ilustração é de Richard Scarry (1919-1994), um nome inquestionável na literatura infantil.

mais ilustrações aqui

 em todo o caso cumpre-se uma tradição de Natal. todos os dias uma história sobre a época. 

já ando a fazer a recolha... e lembrei-me de mais dois

11.18.2013

antecipar o tempo


“Mamã” da ilustradora argentina Mariana Ruiz Johnson, vencedora do VI Prémio Compostela para álbuns ilustrados estará nas livrarias a partir de 29 de Novembro pelas mãos da Kalandraka. 

Um livro rico em cores que vai beber muitas influências à cultura ornamental da arte popular latino-americana. Não só pelo uso das cores como o recurso a figuras de santos tradicionais reforçando o peso do lado materno.  apercebemo-nos por alguns momentos da força expressiva e poética da obra de Klee.

vamos ter de esperar mais um pouco...



 Frida Tierchen é um projecto que nasce fruto da experiência e da mudança que a maternidade exerce sobre as mulheres.

 157 é uma das bonecas da Rosa Pomar. para mim talvez a mais bonita. esta é nossa.

este post é dedicado à A. depois de uma conversa sobre maternidade e que me deixou a pensar a tarde toda.

e como gostava de antecipar o tempo.

Tenho tantas saudades do futuro 
De um tempo que contigo hei-de viver 
Não há mar não há fronteira não há muro 
Que possam meu amor o amor de ter 

Camané, Saudades do Futuro

11.16.2013

empratar


"Queria precaver os meus amigos contra um perigo terrível que nos
ameaça sabe-se lá desde quando, sem que nenhum de nós suspeitasse.
Por isso me esmerei neste desenho o mais que pude. (...) porque não
haverá neste livro outro desenho tão grandioso como o dos embondeiros?
(...) Desenhei os embondeiros inspirado por uma grande sensação
de urgência." 



"Julgo que aproveitou a migração de pássaros selvagens para fugir. No
dia da partida, quis deixar tudo em ordem e passou a manhã a cuidar
do planeta."


"Para mim esta é a paisagem mais bela e mais triste do mundo."

a propósito de uma das publicações da Ana Margarida Ramos, um "blog" que sigo diariamente, resolvi escrever este post que mostra muito como um prato ou melhor um livro é servido.

o M. começou a ler muito cedo e MUITO. fez as minhas delicias quando aos 7 anos já não precisávamos de ver filmes dobrados.

exigente na escolha de livros, a sua escolha começa a tornar-se difícil. tirando os álbuns ilustrados que os tem como intemporais, os livros sugeridos para a idade dele pouco lhe dizem.
o M. tem 9 anos. a semana passada leu "O Homem que plantava árvores", "As aventuras do menino Nicolau" e "O Principezinho". (quem me quiser ajudar nesta tarefa, agradeço)

O artigo que a Margarida "linkava" falava nos 20 livros mais bonitos para a infância. Escolhas são escolhas e se fizermos uma busca, encontramos quase diariamente listas com o mesmo título, claro diferindo na escolha.
Em 17º lugar e não por uma ordem preferencial surge "O Principezinho", que não teve um começo muito feliz cá em casa.

No peditório noturno de "arranja-me um livro para ler" fui buscar a versão "baratucha" do livro de Saint-Exupéry. No fim de algumas páginas disse-me que achava que ainda era um livro complicado. Tomei para mim aquelas palavras não como verdade, mas simplesmente porque o livro enquanto objecto não o cativou, e atenção não é por falta de imagens, porque é uma criança que lê livros com 700 páginas só com letras (neste momento estaria a corrigir-me dizendo que eram 670).

Ocorreu-me a oferta da Ana na versão luxo (cheio de pop-ups). Leu e deliciou-se com a história. Ao terminar sentei-me com o M. na escada cada um com o seu livro, pedi-lhe que abrisse na primeira página. Lemos e o texto era o mesmo. Riu-se. Sentiu um misto de engano e felicidade. Afinal o livro que tinha achado difícil era simplesmente maravilhoso.

É difícil acompanhar os links que a Margarida faz, mas recordo-me também deste, que faz todo o sentido para aqueles que se queixam de que as crianças não lêem. Mais do que a importância de ler é a PAIXÃO de ler.

Claro, entretanto a minha wishlist cresceu.

11.14.2013

ajudaris




porque acredito em projectos.porque acredito que há pessoas que verdadeiramente se importam.

não é primeira vez que faço ilustrações a custo zero. também não é a primeira vez que ofereço ilustrações só pelo puro prazer de ver um sorriso do outro lado.

a terceira imagem tem dois propósitos: Helena a minha mesa de trabalho é bem mais confusa do que a tua, o segundo é perceber que há coisas tão pequenas e que nos fazem tanta falta

11.11.2013

de dentro





Ontem regressámos à leitura com a manta no chão, uma das boas coisas que aprendi com o yoga é o corpo no chão.

Esta viagem foi nossa companhia durante muitas semanas, mas sem saber qual a razão, talvez falta de tempo, nunca saltou para a página do blog, mas ao falar de “Kirikou” que tinha tanta pressa em nascer, o coração trouxe-o de novo à lembrança.

A minhaprimeira viagem é a história do começo da vida narrada na primeira pessoa. Sim, ainda dentro do ventre da mãe o protagonista viaja por um universo desconhecido, mas protegido pela sua cápsula.

Paloma Sánchez recorre à metáfora quase com um recurso terapêutico, não só cria uma linguagem poética como leva o leitor a acompanhar este bebé na sua viagem de procura da sua própria identidade. Uma linguagem indirecta de comunicação, que preserva as propriedades mais importantes da situação real.

Falar de Massimiliano di Lauro é falar de um homem que conseguiu com uma doçura, subtilidade, leveza e sentido poético abordar um tema que até hoje eu consideraria de mulheres. Pela experiência que é sentir o seu corpo mudar. Por cada movimento. Por cada toque. Por cada espreguiçadela dentro do ventre. Nesta viagem sensorial.

Ao contrário de “Kirikou”, este bebé não tem pressa em nascer. Viaja feliz dentro da sua cápsula em que o batimento do coração da mãe é entendido como o motor da sua nave. Sem medos, sem receios porque o motor está lá.

“Do exterior chegam ecos  numa linguagem de água”. Há dias em que chegam notícias tristes e percebe “que o pranto é o idioma que se fala quando não se entende o mundo”

“TUM-TUM /Sigo a minha viagem. /Sou feliz com o balançar: /de roda gigante, /de baloiço, /de carrossel, de barca… /TUM-TUM… cantam os motores.”

Chega o dia. A nave para. Pela primeira vez sente medo. A porta abre-se e “afasto-me do TUM-TUM.” Sente o frio na pele, o ar entra-lhe pela boca e assobia por dentro e a luz beija-lhe os olhos. Aterra por fim numa superfície quente e reconhece o som o “TUM-TUM dos motores” e que a sua viagem “prossegue a bordo de uns mornos braços”

Da OQOeditora, claro


E gostava de ter o cabelo da mãe

maybe or maybe not e as suas cambiantes


talvez tenha sido das receitas que mais estados de espírito despertou em mim.

tinha alguma expectativa nesta receita talvez pela complexidade que apresentava não na feitura, mas no tempo de espera.

ao fim de um dia e meio o resultado era só mais um pão de passas que eu achava que com outras receitas bem mais simples obtinha o mesmo resultado.

se o vou voltar a fazer? talvez não.

a meio do dia e sem esperar, a pessoa mais critica da casa disse-me que o pão estava óptimo. não fiquei convencida.

se o vou voltar a fazer? talvez não.

o almoço de domingo estava no forno e decidi fatiar algumas porções e colocar no forno. o pão ganhou o sabor e uma textura que não tinha até aí.

se o vou voltar a fazer? provavelmente sim.

no mesmo dia um jantar em casa de uma amiga e sem tempo para preparar alguma coisa, decidi fatiar o resto do pão. para conseguir fatias mais finas refrigerei-o durante meia hora no congelador.
comprovou-se a minha experiência da hora do almoço. tornou-se um pão guloso sem precisar de manteigas ou compotas para enganar o palato. A R. quis a receita.

se o vou voltar a fazer? sim

a receita no 220º

e parabéns a Jamie Oliver

11.09.2013

começar o fim de semana assim





Em 1998, o cineasta e animador francês Michel Ocelot encantou o mundo, pelo menos os amantes e curiosos do cinema alternativo, com a estréia, Kirikou et la sorciere (Kiriku e a Feiticeira). De traços simples, com uma mensagem forte e cheio da cultura africana, tornou-se numa das animações infantis com mais prémios ganhos em festivais mundiais.

A história de Kiriku e a Feiticeira é mítica. Uma criança acabada de nascer, (ou melhor que pede para nascer) indiferente ao seu tamanho e pouca experiência de vida, segue não só os seus instintos como os sábios conselhos do avô para salvar a aldeia vive da perigosa Feiticeira Karabá. Karabá havia subjugado todos os homens da aldeia, monopolizando as suas fontes de riqueza e sustento como a água e até o ouro.

Kiriku foge aos padrões estéticos a que o público se habituou. Ocelot consegue num jogo de cores, contrastes de luz e sombra e na relação da figura com o fundo transmitir a cultura de uma tribo africana. Kirikou vive das cores vibrantes dos tecidos africanos.

A música surge-nos de uma forma mais orgânica, fazendo parte do filme como faz como faz parte do dia a dia do seu povo. Num processo de improvisação, ao ritmo de batuques é com ela que celebram as vitórias, do mesmo modo que as tribos o fazem há séculos. Youssou n’Dour faz a banda sonora beber essencialmente dos instrumentos musicais africanos, como balafon, ritti, cora (ai a Kora), xalam, tokho, sabaar e o belon.

O que mais me toca são os momentos de uma aparente fragilidade. O aconchego que vem do corpo da mãe, dos braços do avô que num enlace parecem transportá-lo de novo para o ventre. Faz-nos sentir pequenos. Um instinto de proteção quase animal, e ao mesmo tempo obriga-nos a aprender a saber escutar estas pequenas vozes.

e percebo a fragilidade que provocas em mim.

Em contaponto a este filme “A minha primeira viagem”, e depois de ter vasculhado o blog de cima a baixo percebi que ainda não falei dele aqui. Uma promessa a mim mesma, o livro que sai semanalmente na página do DA salta imediatamente para estas páginas.

e queremos ver Azur i Asmar

e porque também vivemos de pão, um a ser feito desde ontem.

11.07.2013

do avesso

o pai teve uma formação cristã. batizado e com todo o percurso de coisas ligadas à fé. hoje é ateu.

eu não fui batizada porque a minha mãe desiludiu-se com a igreja, e com quem a ministra. acredito que existe um deus. com ou sem nome.

o M. com os seus 9 anos questiona-se. muito. cheio de dúvidas pergunta a um e a outro. no meio há a ciência que lhe abre caminho para o entendimento.

na aula de ciências e durante a revisão da matéria desenha o professor e fez-me recuar no tempo.

e um vídeo "Nós os fantásticos seres vivos: uma breve história sobre a evolução", produzido pelas equipas de Comunicação de Ciência do Instituto Gulbenkian (IGC) e pelo Instituto de Tecnologia Química e Biológica (ITQB), foi o vencedor do concurso internacional Ciencia en Accíon, na categoria de materiais didácticos em suporte interactivo.
Pensado para crianças dos sete aos 12 anos, esta animação explica como surgiu a diversidade de seres vivos a partir de um antepassado comum, apresentando a árvore da vida e o aparecimento de novas espécies. 

11.06.2013

pantone 485C

se desisto de ti perco-me

as malas são da bainha de copas. obrigada

a folha é da escola do M.

e uma calma sufocante.

how to...





quatro anos falava deste livro, ainda em inglês e comprado aqui. volta agora a este blog por dois grandes motivos.

primeiro para dar os parabéns à Orfeu Negro que tem trazido para Portugal grande parte da obra deste magnífico autor, Oliver Jeffers.

segundo porque ontem, ao escrever a página infantil do DA, que vive essencialmente de imagens, senti algum orgulho por nunca ter sugerido um livro que me fosse impingido por uma editora. claro para o prejuízo da minha bolsa e até para o prejuízo de pequenos leitores que podiam beneficiar de uma oferta (caso que já aconteceu com Arturo, da Bruáa, em que foi oferecido a um leitor).

"como apanhar uma estrela" fala-nos de um rapazinho que adorava estrelas. todas as noites ao olhar para o céu, sonhava e desejava poder ter uma só para ele. poder tê-la como sua amiga. brincar às escondidas e dar longos passeios. um dia decidiu apanhar uma. o melhor plano era apanhá-la de manhã, pois por essa hora ela estaria cansada por ter estado toda a noite acordada. no dia seguinte o sol já ia alto e, não havia nenhuma estrela no céu. esperou. esperou e esperou. fez de tudo e nada parecia surtir efeito. até que um dia num passeio pela praia o pequeno rapaz conseguiu realizar o seu sonho, uma estrela só para ele.

por estes dias vimos este (versão original) na livraria Barata, mas gostava de ver em breve este e este editados pela Orfeu.

o mundo de Oliver Jeffers

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