2.28.2014

o tomilho traz com ele o teu cheiro

há cerca de 15 dias consegui fugir da mesa de trabalho e dar um pulo a Estremoz.

quem me acompanha ao longo destes anos vai pensar que retomei as nossas idas à feira de velharias, mas infelizmente não.

a inauguração da exposição de um amigo foi o motivo da minha deslocação e já a desoras para poder perder-me no mercado do Rossio.

acho mesmo que o Manuel cresceu em frente dos espelhos de um ou outro comerciante.

um dia destes vou reunir todas essas fotos em jeito de planta a florescer e nesse dia vou cobrir-te de flores.

e é de coração e de flores que o amor é feito.

"O amor é cego" é uma das peças mais emblemáticas da barrística popular estremocense.

setas certeiras atingem o vulnerável coração desta rapariga de olhos vendados, que carrega com ela um sorriso e flores.

apesar dos famosos barristas actuais como as irmãs Flores e os irmãos Ginjas, terem a sua interpretação da mesma, é por esta do século XIX que eu me enamoro.

o tempo deu-lhe a patine necessária para perceber que o amor é verdadeiro. (adquirida a Emídio Viana em 1929).

no Rossio ou dentro de museus, olho para ti e vejo o nosso crescimento.



e hoje o tomilho-limão que me trouxeste tinha um visitante, provavelmente também ele inebriado pelo teu cheiro.



uma nota
apesar do que eu queria ser tomilho laranja vale a pena visitar este espaço

2.27.2014

morreste-nos


não quero saber há quanto tempo foi, as datas têm a importância que nós lhes queremos dar, e tu continuas a ser importante todos os dias.

hoje, de uma forma mais lúcida digo-te que me falta a companhia, as conversas, o homem.

hoje, e ao contrário de tantos outros posts não me vou alongar.

hoje, consciente da perda digo-te que a vida não tinha o direito de ter saído de ti.

hoje, e porque sempre apoiaste o meu trabalho esta ilustração


hoje, e porque há muito que não falo de livros

com texto do conhecido contador de histórias, Tim Bowley e magníficas ilustrações de Natalie Pudalov.

"Jack percebeu que era a Morte e que vinha buscar a sua mãe."

na tentativa de contrariar a vida, ou melhor a Morte, Jack desafia-a para provar quem realmente era.

desafio atrás de desafio

até ser capaz de a fazer entrar num frasco tão pequeno impedindo-a de sair.
e o rapaz voltou para casa.


e encontrou a mãe capaz de sobreviver-se.


estranhamente nada até ali morreu.

tudo à sua volta alterava-se, e a Vida que é vida deixou de o ser, mas não era morte, porque a Morte continuava presa naquele pequeno frasco.

por muito que quisesse parar a morte, Jack sabia que não o podia fazer por muito mais tempo.

e libertou-a.

"Obrigada, Jack - disse a morte.
Talvez agora entendas que não sou inimiga da vida.
Eu e ela somos duas caras da mesma moeda.
Sem mim, a vida não existiria."



"Jack ficou na praia,
observando o vaivém das ondas.

Ao entardecer , levantou-se e voltou para casa.

Lá encontrou a mãe,
sentada na sua cadeira preferida,
com um sorriso desenhado no rosto,
morta."

este é um dos muitos livros (1, 2, 3 e 4) que temos sobre a morte e que têm sido a forma que encontrei para ajudar o Manuel a perceber esta ausência de vida.

e lembrando-me de um título de Antonin Artaud, o suicidado da sociedade, há pessoas que se nos matam


2.26.2014

masala chai

no verão passado conheci a prima de uma amiga, ambas filhas de goeses.
a L. preparou um manjar digno dos deuses. picante, aromático e surpreendentemente bom, como a conversa pela noite dentro.

por essa altura a L. aconselhou-me um chá.

masala

um português enviusado (dela) e um inglês com falta de algum vocabulário (meu) fez com que adiasse esta aventura.

masala chai é um chá (chai) cheio de especiarias e aromas. este tesouro indiano combina o chá preto de ceilão com uma série de especiarias (varia um pouco de receita para receita e até pelo gosto de quem o faz)

um chá acolhedor, com uma fragrância convidativa e revigorante, que na sua essência assemelha-se ao que tenho bebido no Largo e que já recuperei para casa.

finalmente consegui reunir os ingredientes numa loja indiana.


confesso que veio também uma mistura já preparada, mas ficará para uma próxima degustação.

nesta aventura impunha-se uma conversa com a L., porque eu não bebo leite e o mais comum é adicioná-lo a este conjunto de aromas e sabores.

não, não é obrigatório o uso do leite.

e a cozinha ganhou um aroma quente.


e o poema "Bring me the sunset in a cup", Emily Dickinson, 

e hoje uma conversa a repetir

2.25.2014

poder ser eu uma andorinha

percebi que num curto espaço de tempo as andorinhas são uma presença constante nos meus dias.

apesar de ter vivido sempre ao pé do mar, e achar que as gaivotas eram uma espécie de personificação, hoje, dei por mim a pensar que talvez não.

fui criada numa quinta, não muito longe do mar, mas é das andorinhas que guardo recordação quando enchiam uma determinada parede com os seus ninhos.

porquê aquela? gostava de acreditar que era por ser ao pé do meu quarto.

sou do mar, mas também sou dos beirados.

há pouco tempo e a caminho de Lisboa, ainda o sol mal se via, vi a primeira andorinha.

na altura questionei-me se era um pronúncio da primavera ou alguma que não quis partir.

dias mais tarde confirmei que apesar da falta do tempo morno elas tinham voltado, o que levou-me a escrever este post.

no fim de semana queria muito ter experimentado uma receita deste livro, (ao que parece caminha largamente para uma segunda edição), e percebi que gostava de ser uma andorinha e antecipar o tempo.

mas para tudo há um tempo, e agora ele é da alfazema e do alecrim. pelo rosmaninho vou ter de esperar um pouco mais.

sem saber da sua existência esta andorinha já habita na nova casa, e mais uma vez anteciparam-se a mim



2.22.2014

de papa

o último mês e meio foi passado literalmente à mesa e como diria José Quitério que bem que sabe o "amesentar".

não, não vem no dicionário, mas foi ele que a inventou e não encontro palavra melhor para definir o prazer de juntar quem nos é querido à mesa, à roda de sabores e de histórias.

amesentei-me por mês e meio e fiz comigo jogos matemáticos para enganar a mente e não perceber que tinha tão pouco tempo para produzir 68 ilustrações (64 + capa e guardas).

comecei por contar as que tinha e aos poucos o número foi crescendo.
arranjei um novo jogo. haviam as duplas temáticas e cinco soltas e nessa altura passaram a ser uma equação (x+5). quando cheguei a uma fase em que senti algum conforto, permiti-me dizer que só já faltavam 25+5.
hoje posso dizer que faltam-me 5 ilustrações e ainda tenho três dias.

a mesa foi a mesma, apenas os pratos foram diferentes.

a trabalhar na quinta ilustração percebi que a mãe é feita de papa.

e apercebi-me da importância da palavra. a seguir ao leite materno (ou ao leite em pó para latentes), a papa é o primeiro alimento sólido a ser ingerido e começamos a amesentar-nos.

durante meses e atrevo-me a dizer anos perdi o meu cheiro. cheirava a papa. cheirava a toalhetes, a fraldas, a bolsados, mas de tudo o que retenho na memória é o cheiro doce da papa.

a papa do M. não tinha o cheiro da minha de infância. o ursinho azul que nasceu na minha geração, não guardava o cheiro do urso da geração do Manuel.

provavelmente o cheiro que retenho é o cheiro da minha mãe-papa.

a minha mãe-papa com todos os defeitos de um ser humano ensinou-me que o amor é que faz a vida valer a pena e que não devemos prender-nos a nada que não nos dê alegria.

houve um dia em que ela disse não. não quero viver mais contigo. porque já não havia amor, porque percebia que estava melhor sem ele.
os meus pais separaram-se quando eu tinha três anos. na verdade só deixaram de viver juntos porque nunca se divorciaram.
em todos esses anos o meu pai ia a casa quando queria. ia buscar-me à escola mais cedo sob a desculpa de uma ida ao médico. era o meu pai que ia comigo comprar sapatos, porque a minha mãe não aguentava as minhas indecisões.

não foi um pai presente. estava presente quando era chamado. mas a minha mãe nunca me afastou dele.

as mães-papas cuidam dos seus filhos e é o cheiro deles que está acima de tudo.

2.21.2014

recta final

depois de quase mês e meio de trabalho intenso sinto que posso começar a respirar. em boa verdade respirar é algo que todos fazemos, mas maior parte da vezes mal. o yoga trouxe-me isso de bom. saber respirar.

o último cabaz trouxe coisas doces.

há muito que as bolachas que entram em casa são de fabrico caseiro, ou seja meu.

estes tempos não ajudaram e as únicas que consegui fazer foram estas que desapareceram ao fim de três dias, com o M. a fazer pedidos especiais para fazer caixinhas para oferecer a amigos.

o último cabaz trouxe coisas doces.

marmelada

e bolachas


claro que as minhas preferidas foram as de especiarias e canela

a chuva deu algum descanso e lá fora ouve-se o frenesim de quem anda a construir uma casa nova.

tenho saudades do tempo morno, não fosse eu da primavera e apesar de ser muito citadina, existe em mim um cordão umbilical que me puxa para a terra, para os campos salpicados de cor.

eu sou da primavera.

e isso reflecte-se na comida. desejosa de trocar os legumes salteados e cozidos pelas minhas saladas.



descobri "My New Roots" através deste outro blog a propósito da quinoa.

há muito que a quinoa faz parte da nossa alimentação e quando não é possível fazer saladas é incorporada na sopa, tal como as lentilhas verdes ou rosas.

da esquerda para a direita, amaranto (coze como a quinoa), quinoa branca e por último uma combinação de quinoa branca, vermelha, milho.

estes pequenos grãos fazem-me recordar os pés na areia ao fim da tarde e uma noite no verão passado em que às 11.30 da noite o M. brincava à beira mar como outros tantos meninos.

além do blog my new roots, ficam outros dois que têm feito as minhas delicias, local milk, e cheap and chop



2.19.2014

Kinfolk e as andorinhas voltaram

talvez seja a primeira vez, em tantos anos, que faço uma referência a uma revista, porque são poucas as que leio e vejo com um prazer quase idílico.

a americana Kinfolk é uma delas.

uma revista que vive do lifestyle,(desculpem-me, mas a palavra em inglês soa muito melhor. relação similar com a palavra awesome), com um enfoque na cultura de alimentos e na maneira de redefinir a arte e a vida moderna, tudo isto através de um design e fotografia com uma estética irrepreensível, entrevistas, histórias pessoais, receitas e pequenos filmes.

esta imagem podia ter sido retirada do filme Lost in Translation de Sofia Coppola e se muitos aspectos da cultura japonesa são marcados pela ordem e até mesmo pela perfeição, a estética Wabi-sabi é um contraponto a esta postura.

uma estética centrada na aceitação da qualidade do transitório e da imperfeição. o belo que é "imperfeito, impermanente e incompleto".

através de wabi (quietude) e sabi (simplicidade) é possível o alcance do vazio da mente, trazendo tranquilidade e que tanto preciso neste momento.

e uma imensa vontade de rever o filme.

com edição impressa, a Kinfolk organiza também encontros mensais em todo o mundo. De Alma e Coração e Little Upside Down Cake (ambos imperdíveis) foram os responsáveis pelo primeiro encontro em Portugal (imagens aqui)

este vídeo, também da Kinfolk, trouxe-me à lembrança uma promessa de umas férias em São Miguel e banhos quentes



e hoje podia ter sido assim



e sim, as andorinhas voltaram

todas as imagens são do site da Kinfolk

2.15.2014

Malý princ

há poucos meses falava no modo como nos são servidos determinados pratos. não estava a falar em nenhuma iguaria gastronómica, mas sim de livros e especificamente neste livro.

em boa verdade, os livros e a comida têm para mim sabores muito especiais e dificilmente passaria sem os dois.

depois há presentes que me deixam com o coração para lá do céu e com a inquietação de querer saber mais.

Malý princ é o nome em eslovaco para a obra O Principezinho, de Antoine Saint-Exupéry.

editado em 1995 pela editora Mladé Letá após a "separação de veludo" da Checoslováquia, e com sede em Bratislava.

não tinha como ambição saber muito mais, mas confesso que fiquei intrigada que em 95 páginas apenas três tenham notas de tradução, sem sequer serem seguidas.

persiste a dúvida se essas notas foram retiradas de uma qualquer tradução para português ou se um apaixonado pela língua o quis fazer. e o porquê daquelas três páginas.



no entanto olho para cada página e sou embalada pelos seus caracteres, numa espécie de música.

fica o azul da capa.
extenso, lembrando o Danúbio.

e Strauss




espero não desenvolver com este livro uma obsessão que tenho com Cartas A Um Jovem Poeta de Rainer Maria Rilke, do qual tenho inúmeras edições.  

2.14.2014

flores

há dias em que o cansaço já tomou grande parte do nosso corpo e mente e, no entanto, chegam a casa mimos assim.

retemperadores


 da marca Âncora, Edições Artísticas para Felicitações.

os envelopes vêm recheados de papel e envelopes, também eles cheios de flores.

obrigada Celeste.

e há flores que chegam em outras formas

 
Perfumados prados do meu peito,Colho as vossas folhas, escrevo, para melhor as estudar depois,Folhas dos túmulos, folhas do corpo crescendo sobre mim, sobre a         morte,Raízes vivas, altas folhas, oh o inverno não vos enregelará, delicadas           folhas.De novo floresceis todos os anos, de novo saindo do vosso retiro;Eu não sei se muitos ao passar vos hão-de descobrir ou aspirar tão            suave aroma, mas sei que alguns o farão;Oh delicadas folhas! Flores do meu sangue! Falai à vossa maneira          do coração que por baixo tendes,Eu não sei qual o vosso subterrâneo sentido, não sois a felicidade,Sois muitas vezes tão cruéis que não vos posso suportar, queimais-          -me e feris-me,E, todavia, que bela sois aos meus olhos, raízes levemente colori-          das, fazendo-me pensar na morte,A julgar  por vós a morte é bela, (enfim, que haverá de mais belo          senão a morte e o amor?),Oh creio que não é em louvor da vida que aqui canto o meu canto           de amantes, creio que é em louvor da morte,Pois, como é sereno, como floresce solenemente ao elevar-se à atmos-          fera dos amantes!Vida ou morte, tanto me faz, a minha alma recusa-se a escolher,(Talvez a alma sublime dos amantes prefira a morte),Na verdade, ó morte, penso que estas folhas significam o mesmo          que tu,Crescei, doces folhas, para que vos possa ver! Crescei sobre o                   meu peito!Abandonai o coração que aí se oculta!Não vos enredeis, tímidas folhas, em vossas rosadas raízes!Não vos quedeis aí, envergonhadas, ervas do meu peito!Vinde, estou decidido a desnudar este amplo peito, tanto tempo          o reprimi e sufoquei;Emblemáticas e caprichosas folhas, deixo-vos, pois já não me sois          úteis,Sem rodeios direi o que tenho a dizer,Só a mim e aos companheiros hei-de cantar, jamais atenderei outra          voz que não a sua,Despertarei ecos imortais em todos os estados do meu país,Aos amantes darei um exemplo que seja para sempre forma e vontadeem todos os estados do meu país,Pronunciarei as palavras que exaltem a morte,Dá-me então a tua música, ó morte, para estarmos em harmonia,Dá-te a mim porque agora sei que acima de tudo me pertences e          que tu e o amor estão inseparavelmente unidos,Não permitirei que me enganes mais com isso a que chamava vida,Porque enfim compreendo que és os conteúdos essenciais,Que, por qualquer razão, te escondes nestas mutáveis formas de          vida, e que elas existem sobretudo para ti,Que, para além delas, surges e permaneces, tu, realidade real,Que, sob a máscara das coisas materiais, aguardas pacientemente,não importa quanto tempo,Que, talvez um dia, tudo dominarás,Que talvez dissipes todo este imenso desfile de aparências,Que talvez seja para ti que tudo existe mas não perdura,Mas tu perdurarás
Walt Whitman


2.13.2014

swallow

que ao menos pudéssemos seguir as andorinhas.
e que não haja asas feridas.

dos poucos blogs que sigo

da Paula Valentim (otchipotchi) e que um dia destes quero uma.

ou uma de Bordallo Pinheiro (A Vida Portuguesa)

para encher uma parede assim ou um tecto


ou uma andorinha da Rita, apesar de preferir os Ó-Ós especialmente o lobo e a sua casa

e ainda da Mary e do seu café A Saudade  e a promessa de passarmos uma noite no Chalet

e por último as Flying letters da Paula e que tenho a sorte de ter recebido



e porque não chegámos a seguir as andorinhas aproveitemos este tempo assim...




todas as fotos têm créditos e pertencem a quem está identificado

2.12.2014

pausas com amor

hoje decidi tirar a manhã para não fazer nada, e não fazer nada tinha esse propósito literal, mas o verbo dificilmente conjuga-se com o meu feitio.

o inicio de janeiro trouxe-me alfazema que há tanto tempo procurava.

faltava-me tempo para experimentar a melhor receita.

o mês de janeiro trouxe também o livro da Patricia.

eu conheci a Patricia em 2006 através do Flickr em que assinava como miosotiis. por essa altura criou-se um grupo bastante alargado de gente com vários interesses, ficámos amigos, houve encontros, partilharam-se mimos. (ainda hoje alguns permanecem)

somos muitos os que partilham deste sentimento de perda. o facebook trouxe um lado mais voyuer que não me agrada.

confesso que o que me fez comprar o livro da Patricia, foi uma entrevista que ambos deram, em que o Luís Alves refere-se a uma planta que poderia vir a ser a forma saudável de substituir o açúcar. falava da Stévia.

para quem como eu passa a vida em busca de uma alimentação rica e equilibrada, esta planta trouxe-me algum alento.

poder retirar o consumo de açúcar refinado como retirei o do sal, devolveu-me o sol que o tempo há muito tirou do céu.

quase não uso sal na comida.
este foi substituído na sua essência por aromáticas e o pouco que uso é sal marinho iodizado e com magnésio, fundamental para o funcionamento do sistema nervoso central.

confesso que sei pouco sobre esta planta e que gostaria muito de aceitar o convite do Luís para este workshop, não fosse ele tão longe.

mas ontem ao falar com a Patricia sobre o livro e pedindo-lhe mais receitas alternativas ao consumo de carne, dei por mim na página da alfazema.

deixei de lado todas as receitas que tinha em mente, e hoje, apesar de ter decretado uma manhã sabática acabei por experimentar a receita que vinha no livro.


pedi-lhe conselhos, truques escondidos. não há. a Patricia escreve como cozinha de mão cheia.
alterei apenas a quantidade de alfazema (coloquei um pouco mais)

a receita só não salta para o 220º, porque o livro merece ser comprado.


desejosa de estrear um dos presentes de natal do Duarte, fico-me pelo sonho de um dia poder ter uma horta assim...
à medida do consumo da casa. sem desperdícios.

2.11.2014

mimar

podia começar este post com a canção Mimar você, porque acredito que o bom atrai o ainda melhor. que todos temos os nossos anjos da guarda, sejam eles amigos, namorados, maridos, irmãos. eu tenho a sorte de contar pelo menos com uma mão cheia desses anjos.

os últimos posts viveram muito do meu trabalho cruzando-se com o meu dia-a-dia. com as alegrias. os cansaços. o relógio que teima em não parar.

hoje decidi falar desta outra caixa, que apesar de não trazer alimentos tem sido um energizante natural para a alma.

há um mês surgiu uma foto aqui. meio velada, porque a quis só para mim.

da editora Milimbo com a assinatura da ilustradora Blanca Helga.

A Milimbo faz parte do meu imaginário como uma das melhores editoras na área infantil, e são muitos os livros que constam da minha wishlist

este tinha um sabor especial. uma edição limitada que conta com originais da Blanca.

gosto da fluidez das suas ilustrações, do modo como simples pedaços de papel que serviram outras ilustrações ganham uma nova vida sem sentir-se a presença de um novo corte.

sei que estas personagens vão ter de sair da caixa e habitar num quadro. muito provavelmente na nova casa.

se o primeiro olhar marca-nos, o continuar deixa-nos adormecidos num sonho que não queremos acordar.

a originalidade, a criatividade, o cuidado que a Milimbo coloca em cada um dos detalhes deixa-nos nesse limbo, fora dos limites do céu, onde só os pássaros permanecem.

espero pela nova casa, como os pássaros da primavera.

nada é deixado ao acaso. nem mesmo o chocolate.

quem me conhece sabe que tenho uma relação estranha com o chocolate. preciso de saber que tenho chocolate em casa e que só como no inverno.

sim, é nas pequenas coisas que sentimos que cuidam de nós.

e não Manuel, estes e os outros não vieram da bombonnerie do CCB, mas do Clube Gourmet do Corte Ingles (:.

o livro ainda está fechado. preciso de acabar o meu trabalho para o desfrutar devidamente.

e claro, a música


  o mobile da pastora com as ovelhas é da Ana Ventura e acompanha-nos há muitos anos

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...