6.27.2014

boa viagem bebé!


Boa viagem bebé! é a estreia de Beatrice Alemagna no universo dos livros para a primeira infância.

encontramos um bebé compenetrado nos preparativos para esta viagem. não é a primeira e não será a última, mas nada pode ser esquecido.

estas páginas fizeram-me recordar este "projecto" (histórias de mim, contadas por ti) que tinha como único objectivo o recordar momentos que se vão perdendo no tempo.

esse projecto parou a partir do momento em que o M. ocupou com os seus desenhos as toalhas de papel dos restaurantes.

não na hora de ir para a cama, mas na hora de descermos a grande escada da nossa casa, havia sempre "O" brinquedo preferido que nos acompanhava nessa longa viagem.

tornando essa viagem ainda mais longa por causa de "O" brinquedo preferido.

 e esta outra viagem continua...

até na escolha do livro preferido.
são nestes pequenos detalhes que encontro a genialidade de alguns ilustradores, nomeadamente nas referências a outros autores como é o caso a Leo Lionni e ao seu "Pequeno Azul e Pequeno Amarelo"




esta é a única página que vejo com alguma pena por coincidir com o centro do livro quebrando a leitura deste momento.

um livro que serve para os pais reflectirem na importância de criar um ambiente calmo, sereno e em paz, para que as crianças sintam a hora de dormir como algo natural, sem dramas, choros e birras e ainda na importância de as crianças terem horários, de se deitarem cedo, para que as manhãs possam ser bem vividas.


6.26.2014

às voltas com os livros


desde sempre os livros acompanharam o Manuel, primeiro numa leitura partilhada, mas desde cedo numa leitura um pouco solitária, apesar de crer de que os pais não deviam "abandonar" os filhos nessa leitura sob pena de se perderem das letras.

ao longo destes anos fotografei-o, na maioria das vezes com o telefone, sem qualquer preocupação estética, mas pelo prazer de olhar para ele e vê-lo a ler, sobretudo nas mais variadas posições.

ontem numa das muitas viagens semanais Lisboa-Avis dei por mim mais uma vez deliciada não pelo facto de vir a ler, porque é um hábito, mas pelo ritmo das posições que alternavam a cada virar de página e que davam um filme.

sem tempo para percorrer dez anos de fotografias ficam alguns desses momentos. sem uma unidade temporal e não sendo as melhores, espelham este sentimento que me acompanha e cresce todos os dias.


uma colecção que sempre o agradou, mesmo muito antes de saber ler, talvez por serem pequeninos,

talvez por serem meus,

talvez porque lhe passei o peso da história e do significado que cada um tinha para mim.



Fábrica do Braço de Prata, enquanto preparava a montagem da minha exposição, que acabou debaixo de uma mesa entre pernas de cadeiras.


outras de muitas férias.

de sítios que lhe davam jeito

de almoços e jantares


e da tentativa de realizar um sonho que me acompanhou durante a infância que se traduzia em construir colunas criando um jogo labiríntico.



 talvez um dia...

6.19.2014

soon

agora percebo porque é que gosto tanto desta música



a história por trás da música

"When we are conceived, we appear in our mother’s womb like a little tiny light, suspended in the immense space. And there is no sound – it’s completely dark and time doesn’t seem to exist. It’s like an ocean of darkness.
Then, we grow. And we keep growing and growing and as we grow, slowly we begin to feel things, touch things. We touch the walls of our world that we’re living in. Then we begin to hear sounds and feel shocks that come to us from outside.

As we get bigger & bigger, the distance between ourselves and that outside world becomes smaller and smaller. And…this world that we are inside which seems so in the beginning and so infinitely welcoming has becoming very uncomfortable. We are obliged to be born.


Birth is so chaotic and violent that at the moment of our births, we’re all thinking, “This is it – this is death. This is the end of my life.” Then we’re born and it’s a huge surprise because it’s just the beginning. In the beginning we’re very small – the world seems infinitely big. Time seems infinitely long. And we keep on growing, learning how to use our senses, how to touch the contours of the world that we’re in.


Sometimes, mixed in with the sounds and sensations of this world we live in, we hear sounds and feel shocks that come from yet another world. And that other world follows us our whole lives long. As if – something is happening, just on the other side of a very, very thin wall separating us from that other world, much like the womb. But we can forget about it for a long time – sometimes our whole lives – until all of a sudden it comes again.


At that point, then, we think we’re really smart. And we think, “This time. I know for sure that this is death. That this is the end. Everybody knows that.” That’s not the end, though…it’s just…the beginning of something else."

via | via


por te amar tanto fiquei.

por te amar ainda mais vamos partir

6.15.2014

mercado da ribeira

apesar de ter crescido no Estoril e de ter feito de Cascais a minha casa, a verdade é que Lisboa teve (tem) um papel importante nesse meu crescimento.

fui para a António Arroio com 14 anos ainda fazer o extinto 9º ano e era na Baixa Lisboeta que estavam as grandes casas de material de desenho.

começámos a frequentar o "Bairro" (Bairro Alto) e foi nas "catacumbas" que descobrimos outros nomes do jazz.

fiz a faculdade dividida entre a Rua Capelo e a Rua do Alecrim no Palácio Pombal e foi colada às Ruínas do Carmo que comecei a minha carreira profissional como designer na agência MKT.

fugi para os jornais (em boa hora) e mudei-me para o inicio da 24 de Julho bem pertinho do Mercado da Ribeira.

não tenho presente o dia, (talvez a quarta feira), mas sei que havia um em que o Mercado se enchia de flores. tornou-se ponto de paragem obrigatório. além das flores que trazia para casa era poder ver e sentir aquela explosão de cor e aroma.

hoje o Mercado está ainda mais bonito, com a traça original de 1882, mas de fachada limpa e renovada. uma decoração sóbria com a predominância do preto e branco.

há muito tempo que não ia lá e foi uma lufada de ar fresco.

um espaço que convida à permanência, não só porque mantém o comércio de produtos frescos, mas pela presença de 30 espaços gastronómicos, que passa pelo chefes como Sá Pessoa, Marlene Vieira, entre outros, ao Café de São Bento, Sea Me, Conserveira Nacional, Santini e a Arcádia.

Ai a Arcádia... e os seus macarons



eu segui para Alfama para dar um ateliê. ela refugiou-se no ginásio.

e em tempo de Santos Populares é preciso dizer

LISBOA É LINDA!

e parabéns a Alfama

6.13.2014

126 anos

Amo como ama o amor. Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar. Que queres que te diga, além de que te amo, se o que quero dizer-te é que te amo?



a 13 junho de 1888 nascia Fernando Pessoa num 4º andar de uma casa situada num dos largos mais bonitos da Baixa Lisboeta, o Largo de S. Carlos.

saudades de São Paulo e a pensar que fazia todo o sentido termos um Museu da Língua

6.12.2014

LYA | LIA

uma semana intensa trouxe dezenas de coisas boas que dariam vários posts e apesar de sentir que vou ter de voltar atrás no tempo para falar de algumas delas, decidi começar pela visita do carteiro que trouxe das mãos da Margarida Botelho o seu último livro.

são vários os livros da Margarida, mas a cada livro que sai da coleção Poka Pokani sente-se o crescimento desta MENINA.

Lya é uma menina que mergulha todos os dias no Oceano Pacífico, num país chamado Timor-Leste, e Lia é outra menina com a mesma idade, mas que vive na Europa, em Portugal. Ambas iniciam, em lados opostos do livro, uma viagem para o encontro!

olho para este livro e cada vez mais identifico a Margarida com a personagem do mundo distante apesar de estar representada fisicamente no outro.

é este espírito inquieto que a leva a materializar tão bem estes mundos.

em julho e agosto de 2013, Margarida Botelho e Mário Rainha Campos viajaram até Atecru, uma pequena e ainda isolada aldeia piscatória situada na costa norte da ilha de Ataúro em Timor-Leste. os habitantes pescam através do mergulho em apneia e onde ainda não existe estrada nem televisão.
Margarida e Mário acompanharam o dia-a-dia de crianças mergulhadoras e de suas famílias, dentro e fora do mar, num encontro que permitiu a ambas as partes olharem de perto uma cultura distante.

como acontece em Eva e Yara, LYA|LIA são duas meninas que começam a sua jornada em lados opostos do livro caminhando para um encontro.

No país onde o sol se põe está LYA.



No país onde o sol nasce esta LIA.


e mais uma vez enriquece-nos com novas palavras.

o tucanaré (peixe) de YARA é agora substituído por o ikan.

diferentes cultura separam as duas LY(I)AS. 


tão diferentes

que desejamos ser a LYA distante. 



 

"...ainda com a água salgada na pele e os olhos cheios de cores..."  mais aqui


6.06.2014

hoje sinto-me...

estávamos em dezembro de 2013 e o Manuel trazia para casa pelas mãos da professora de português um papel que anunciava o II Concurso Internacional de escritores lusófonos infanto-juvenis destinado a crianças dos 8 aos 14 anos.

o M. ainda com 9 anos propôs-se a concurso com um texto qb de louco. um texto que por iniciativa dele já o tinha começado muitos meses antes de saber da existência deste concurso.

assisti à escrita nos mais diversos sítios, nos mais diversos suportes. escreveu, reescreveu, ilustrou-o, dobrou folhas como se de um livro se se tratasse, mesmo sem saber como se faz um livro.

a primeira vez que li o texto, refém de um português correcto disse-lhe que tinha um erro. fui corrigida. percebi ao longo do texto da sua capacidade de reinventar palavras num jogo quase visual e sonoro. fui confrontada com uma criatividade que só a alguns é permitida ou a crianças que têm 9 anos.

Hoje Sinto-me de Madalena Moniz descreve o que foram estes meses de compasso.

em janeiro chegaram às mãos da organização cerca de 500 textos vindos de vários cantos do mundo, como Angola, Brasil ou Macau.

e esperou...

o mês de fevereiro trouxe a notícia que o texto do Manuel "foi selecionado por membros de La Atrevida, entre os melhores textos do concurso..."


e foi motivo para se sentir Audaz ou Atrevido.

e mais uma vez esperou...

abril chegou no seu primeiro dia e não em versão de mentira com o veredicto do júri. o texto do Manuel estava entre os escolhidos para serem publicados na II Antologia Atrevida.

e é caso para se sentir Forte e Genuíno. O mérito é dele e mesmo podendo não estar entre os três primeiros textos premiados, é motivo para se encher de orgulho.

domingo é a entrega dos diplomas e prémios no Salão Nobre da Reitoria da Universidade de Lisboa e sei que estarás assim...

Nervoso...
Baralhado...

Minúsculo

mas acima de tudo deves sentir-te Querido, porque vamos lá estar (quase) todos. e os que não estarão presentes têm-te sempre junto do coração.


até lá vamos descansar

ainda no domingo quem quiser fazer-nos uma visita, vamos estar no pavilhão da Paulinas Editora (17horas)  para o lançamento do livro "O Céu das Mães" do Paulo Kellerman

6.05.2014

Silva & Feijóo

há mais de cinco meses que faço o trajecto entre a Rua da Prata e a Vítor Cordon.

meia hora separa dois ateliês. mudo o passo, troco as transversais, atropelo-me meio mundo com o trólei. continuo a correr. faço telefonemas pelo caminho e há dias que paro porque uma imagem forte faz-nos recuar.



a Silva & Feijóo fundada em 1919 como cordoaria renasceu em 2006 como mercearia típica na Rua dos Bacalhoeiros e recentemente (há uma semana) em pleno coração da Baixa Lisboeta.

a loja prima pelos produtos, pela decoração e pela simpatia de quem está atrás do balcão.

não fosse a curta meia hora, que em boa verdade é menos de 15 minutos porque saio sempre atrasada do primeiro ateliê e a querer chegar a horas ao segundo, teria trazido metade da loja.



entrei pela granola (Museu do Pão)

a de maçã que junta ainda avelãs

e esta outra versão que substitui os dois últimos ingredientes por goji e amêndoas.

vieram bolachas de sésamo, mas ficaram debaixo de olho umas de gengibre.

do sal (uma preocupação de há muito tempo) veio a versão com mais iodo. para quem vive no interior longe do mar devia ter a preocupação de escolher em primeiro lugar um sal que não seja refinado, (sendo esta a pior versão do sal comestível) e em segundo optar por sal marinho em vez de flor de sal pela riqueza de iodo imprescindível ao bom funcionamento da tiróide.

é bem provável que na próxima segunda feira faça uma outra pausa nesta loja.



   

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