7.31.2014

Ajudaris

há pouco tempo resgatei estes papéis antigos que estavam a forrar uma cómoda. o móvel chegava-lhe a casa pelo afecto que lhe tinha. quis poucas coisas, mais do que as coisas com que fiquei da minha mãe, coisas essas "roubadas" aos irmãos anos mais tarde. arrependi-me de não ter tido a coragem de assumir a ausência.
engana-se o vazio com mais vazio e despojamento.


de volta aos papéis dou por mim a recordar uma conversa recente sobre as coleções que já fizemos.

a maioria delas com uma atitude negligente própria da idade, mas lembro-me de ter colecionado folhas de papel. de carta, de blocos, bloquinhos, mais ou menos coloridas, mais ou menos cheirosas. e dou por mim a pensar que isto dos papéis é uma paixão antiga.

com uma nova ilustração para o projecto da Ajudaris 2015, senti que a avó desta história carrega a sabedoria para usar um destes novos-velhos papéis.

este menino veste o cabelo da personagem "O Céu das Mães", cheio das estrelas, sonhos, ideias, capaz de ensinar e fazer acreditar, mesmo os mais velhos.

à semelhança deste fato, as duas latas maiores ficam para quem as quiser muito (ler mais aqui)

peças dadas (rreimao@gmail.com)

7.30.2014

sintomas de saudade

hoje despedi-me dos meninos de Alfama. para mim devia significar parte de um merecido descanso, e para eles também, não fosse o facto de aquele espaço ser uma espécie de porto de abrigo.

no lugar ficou um vazio de fazer doer o coração. houve abraços e muitos beijos e de repente um mês sem os ver parece uma eternidade. ganhei-lhes um amor, como se fossem um pedacinho meus.

o J., o menino ao meu lado esquerdo, é doce, tão doce como as gémeas, são sempre os primeiros a correr para mim. hoje ele estava particularmente triste...

não era só ele...

- é só um mês... daqui a pouco já estou de volta, antecipando até os novos projetos.

- é só um mês. - repeti vezes sem conta. só não sei se foi para os convencer a eles, se a mim.

de Alfama fica também a minha cor preferida e que o iphone teima em não querer apanhar.

aqua da cadeira de barbeiro...

do caminho que me faz parar
e a minha túnica da Vintage Bazaar


depois de duas semanas complicadas a família está mais tranquila, a bebé C. decidiu que se manteria na barriga da mamã por mais algum tempo. melhor bebé, mas estamos ansiosos à tua espera...

7.27.2014

nos céus de Lisboa

se tomamos por certo a frase que o caminho se faz caminhando, então é verdade porque estamos quase lá, mas tem sido um longo caminho...

a razão deste post prende-se a uma foto da Alexandra no Instagram sob a hastag #desculpashamuitas, e lembrei-me que nunca tinha falado sobre este assunto aqui.

como designer é normal que esteja atenta às tendências mesmo ao nível do lettering e há uns meses descobri que Lisboa tem uma fonte oficial.

criada por dois publicitários, Jaime Nascimento e Guilherme Nunes, da Leo Burnett, que não sendo de Lisboa souberam olhar para ela.





Os eléctricos de Lisboa fazem parte da paisagem lisboeta e tornaram-se um ícone da cidade. Para além de pintarem as ruas de amarelo riscam o céu azul da capital com os seus cabos.
Da complexa malha feita por estes, surgiu a ideia de criar uma tipografia, cujo traço é formado pelo cruzamento aleatório dos mesmos. Assim, a LX Type passa a ser a fonte oficial de Lisboa.

e a caminhar passo a passo, o Manuel já tem uma nova escola.



 
a fonte está disponível para Mac e Windows.

a música do filme é dos Dead Combo

e percebi que ainda não levei o M. a andar de elétrico...

7.26.2014

assim-assim

confesso que sou um bocado de extremos. gosto ou não gosto e o assim-assim sempre me soou a mediano, excepto no que respeita ao tempo.

não gosto de frio que prende os ossos, nem do calor que sufoca. os dois têm a capacidade de me toldar o corpo e desespero. o tempo morno ou assim-assim sabe-me bem.

gosto da praia do final do dia, quando as gaivotas regressam a terra e, desde que o Manuel nasceu que faço no máximo duas horas de praia e a desoras. sim é verdade, pouco ou nada mudo de cor, mas em boa verdade nunca gostei de ver a marca do biquíni cravada na pele.

enquanto não posso ir de férias vou sonhando com a água fria nos pés e com a minha nova toalha

talvez não tivesse importância nenhuma a não ser o facto de as minhas últimas toalhas terem sido sempre anexadas e perdidas.

gosto muito da PIP e não tenho sido justa com a Dália, da Papelaria Inédita, que sempre que eu sonho com uma coisa ela faz tudo para realizar esse desejo.

espero ainda a chegada do meu péu...

pena que os chapéus da Alexandra tenham chegado mais tarde...

enquanto sonho com a brisa que faz parte de mim, vou trabalhando e desenhando agosto.

e a sonhar com estrelas




7.25.2014

vazio

com o tempo muito contado dei por mim a sentir um dado vazio por há muito tempo não falar sobre livros. em boa verdade há quem o faça de uma forma séria, muito bem escrita e a tempo e horas.

a Catarina Sobral voltou a surpreender com Vazio, de tão cheio que é, abdicando de uma abordagem do absurdo que caracterizava os outros livros.

Vazio acaba por ser uma metáfora de quem procura preencher-se a si próprio...

e falha.


li sobre quem achou que Vazio fala da desumanização das grandes cidades, mas para quem viveu no campo durante 14 anos, sei que não é assim tão linear.

na cidade somos estranhos uns para os outros, mas nesta "aldeia" seremos sempre estrangeiros, o que nos torna nas costas, estranhos.


houve coisas boas, sim houve, mas não as suficientes para me fazerem permanecer.


e antes da partida gostava de apanhar as últimas amoras silvestres.

Vazio termina com o cliché de que o amor tem a capacidade de redimir mesmo estas almas, não importando o sítio.

mas verdadeiramente importa.

Vazio integra a série "Imagens que Contam", da Pato Lógico, da qual fazem parte "Capital" de Afonso Cruz (que em breve trarei para aqui), "Sombras", de Marta Monteiro e "Bestial" de André da Loba.

Confesso que gostei mais da aposta de capa que a Pato Lógico fez nos dois primeiros livros, porque distanciava-se da corrente do livro de capa dura.

Todos os livros partilham de uma construção textual utilizando unicamente a ilustração. dos quatro livros o que foge a uma narrativa com principio, meio e fim é o "Bestial" em que cada página conta por si uma história.

venham mais...

7.24.2014

o prometido é devido

com um dia de atraso aqui fica a receita destas bolachas magníficas. obrigada G.

e ainda de comida, ontem estreámos La Créperie da Ribeira

experimentámos dois dos muitos muitos crepes apetecíveis, mas o mais surpreendente é o uso de farinha de trigo sarraceno na confeção da massa.

depois de ter descoberto os benefícios das sementes deste fruto (fagopyrum), uma espécie de grão que na verdade é um parente do ruibarbo e das azedas e livre de glúten, fiquei com imensa vontade de o introduzir nas panquecas e nos scones, habitués na nossa casa.

Trigo sarraceno na saúdeÉ considerado energizante e nutritivo, apresenta altas quantidades de farelo, disponível quer nas variedades leve ou integral, com a variedade integral mais nutritiva. Uma vez que o trigo-sarraceno não contém glúten, é apto para uma dieta celíaca. Apresenta mais proteína do que o arroz, trigo ou milho, fonte de proteínas e de ferro.[1]É também fonte de manganês, magnésio (o magnésio é um mineral que ajuda a baixar a pressão dos vasos sanguíneos) e fibras dietéticas. Uma só chávena de trigo sarraceno contém cerca de 86 miligramas de magnésio. Os seus efeitos benéficos também estão ligados à presença de flavonóides, com destaque para a rutina (Vitamina P) e a quercetina. Estes previnem doenças, com a sua ação antioxidante. A sua proteína é de alto valor biológico, pois contém todos os aminoácidos essenciais, incluindo a lisina. Pesquisas afirmam que uma alimentação rica em grãos integrais, como o trigo sarraceno, previne doenças cardiovasculares, incluindo a aterosclerose, diabetes e obesidade, entre outras, devido ao seu teor de fibras e outros compostos, como gorduras polinsaturadas.[2]
Os Yi, um dos povos da China, consome cerca de 100g diários de trigo sarraceno; uma investigação demonstrou que os que na sua dieta alimentar utilizavam trigo sarraceno, tinham conseguido diminuir os níveis do colesterol LDL e aumento do HDL.[3]

enquanto eu me deliciava com perguntas à volta do mesmo tema, ela deliciava-se com o meu chapéu.

e está cada vez mais bonita...




7.22.2014

férias versus fazer o que se gosta

há 15 anos quando decidi despedir-me e formar a minha empresa  não tinha a plena consciência do que tudo isso significava.

há 15 anos que deixei de ter férias marcadas, o que em certa medida era muito bom, e foi, até o Manuel entrar para a escola.
viajámos contra a corrente, sem enchentes e gozámos os pequenos períodos de tempo que repartíamos ao longos do ano.
aproveitámos o encanto das estações em locais e países diferentes.

hoje e quase no fim de julho não tenho férias marcadas e com dois livros em mãos torna-se ainda mais difícil, mas sei que pelo Manuel terei de me organizar, ainda mais, para que ele sim tenha férias marcadas.


ainda não arrisco contabilizar as ilustrações que tenho e muito menos as que faltam, mas ao longo destes anos percebi que faço o que gosto e isso dá-me o alento para aguentar as fotos das férias dos outros.

e ainda há os meninos do Chiado, da Mouraria e de Alfama e os meus "velhos" que me enchem o coração e fazem-me olhar para o trabalho deles e sentir um enorme orgulho de tão bons que são.

e porque não sei estar quieta ainda experimento receitas

fica prometida para amanhã a receita destas bolachas. obrigada G por me teres ensinado.

7.19.2014

lisbon short stay

não é à toa que a revista Monocle considerou Lisboa uma das 25 melhores cidades para se viver.

"Despite the crisis, the city is packed with entrepreneurs running everything from retail to restaurants in a decidedly Portuguese way". Congrats Lisbon and all our entrepreneurs!

habituada a ir dormir a Cascais e a considerar essa a minha casa, a verdade é que passei grande parte da minha adolescência e idade adulta em Lisboa. primeiro na António Arroio, depois no IADE, e mais tarde entre agências de publicidade, jornais e Sociedade Nacional de Belas Artes.

Lisboa está cada vez mais cosmopolita e transpira beleza por todos os poros. nas veias corre-lhe história que se sente nas gentes e na sua arquitectura,

há problemas a resolver. há! mas Lisboa nunca esteve tão bonita.

na última terça feira, três das mulheres desta família, rumaram a Lisboa. o objetivo principal era ir jantar ao Mercado da Ribeira. houve passeios e muitas paragens, uma delas num sítio magnífico

Lisbon short stay é mais do que um hotel, até porque se pode almoçar, lanchar ou simplesmente beber um copo. a dificuldade reside na escolha.

um projeto familiar que faz com quem o visite fique com a sensação de estar numa galeria de arte. muito inspirado na Pop Art, com muitas alusões a Pollock e ao Expressionismo Abstracto.

outra mais valia, e para quem tem crianças é óptimo, é o facto de todos os quartos terem kitchenette.

algumas das peças estão à venda, e ao contrário do que acontecia com um bar que havia em Cascais, o "Mise en Scene", não são as peças que estão ao serviço.

confesso que estou tentada a ir comprar os individuais, existem muitos diferentes, o que torna a escolha ainda mais difícil.


um ambiente descontraído, com detalhes interessantes, embora alguns a tocar muito o kitch.

o mais sóbrio talvez seja mesmo o acesso ao terraço do edifício onde se vislumbra a beleza desta cidade e do rio que se espraia.

deste olhar que suscitou muitos comentários no facebook deveu-se a este urso. não que me tenha encantado propriamente, mas era a sombra projectada que lhe dava um corpo imaginário e que não descansei enquanto não o fotografei.

ainda a referenciar o modo carinhoso como fomos recebidas pela dona do LSS e o mimo que tivemos de dividir porque havia um jantar à nossa espera.



ficou prometida uma noite...

7.17.2014

some kind of blue

são muitas as designações que encontro para esta cor. para mim é sinónimo de mar, de férias, de Pantone 333c e da Vintage Bazaar.


a Vintage Bazaar é uma das minhas lojas preferidas, cheia de coisas de fazer perder a cabeça e com um atendimento 5 estrelas. não fossem os preços a rondar o proibitivo, traria a loja toda.

da última vez veio uma túnica, um vestido, umas sandálias, uma pulseira e um chapéu claro.

adoro chapéus, são bonitos, dão uma ar super elegante e cumprem o objetivo de nos protegerem deste calor sufocante.



 a trabalhar no próximo livro dei por mim não só a usar este aqua, mas a ir buscar inspiração ao vestido da Vintage Bazaar

deste último espaço farei um outro post, porque merece...

uma,

duas,

três visitas...

e umas noites bem passadas.


ainda deste aqua.

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